sábado, 5 de fevereiro de 2022

Vendedor de rua

 Letícia Duarte de Oliveira

Olha a maca-macaxeira,

molinha, molinha,

papinha, papinha

dizia o vendedor,

com orgulho e com amor,

produto tirado da roça,

que era vendido com muita alegria.


Melou, melou, melou

dizia o vendedor de mel

com um cilindro redondo

carregando no seu ombro

com a profissão que Deus lhe deu.


Miúdo, miúdo, dizia o vendedor, 

vendendo víscera de boi

em um caixote que ele improvisou

tripas, fígados, língua e rins,

até mesmo o mocotó

era vendido nas costas

dos homens trabalhadores.


Havia também os mascates

que empurrando uma carrocinha

vendia todo tipo de objetos

botão, elástico e linha,

tecido, agulha de tricô,

dedal, bico de renda e agulhinha.


Sei disso porque o meu pai

fala com muita saudade

e com certa vaidade

de ter alcançado esta profissão

que hoje não volta, não

foi ficando para trás

pois ninguém não lembra mais,

das coisas de antigamente

Mas o meu pai ainda sente,

saudade do que ficou para trás.

Garanhuns | 2007

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