terça-feira, 29 de março de 2022

Dia do golpe: mulheres na ditadura

A deposição do presidente João Goulart por meio do golpe militar que instaurou a ditadura no país do Carnaval, foi o que determinou 21 anos de desespero à democracia. E, pela primeira vez, ouvimos a versão feminina dos acontecimentos dentro de um dos maiores presídios políticos do país, que torturou, matou e sumiu com muitas pessoas ao decorrer deste tempo. 

Não estavam à espera de um príncipe em seu cavalo branco para salvá-las, é isso que Ana Maria Ramos Estevão alega quando ela e suas companheiras de cela renomearam a Torre das Donzelas, do Presídio Tiradentes, para Torre das Guerreiras.

Ana Maria, nos tempos mais obscuros do Brasil, era estudante de Serviço Social envolvida com o movimento estudantil e a organização Ação Libertadora Nacional (ALN). E para que as pessoas jamais esqueçam o que houve na ditadura, principalmente, com as mulheres, escreve a sua história que se entrelaça com tantas outras como a da ex-presidenta Dilma Rousseff, prefaciadora de Torre das Guerreiras e outras memórias, livro publicado pela pelo selo 106 Memórias (Editora 106), em colaboração com a Fundação Rosa Luxemburgo.

Muitas pessoas devem perguntar, o que a Ditadura Militar queria? Em tese, evitar o avanço das organizações populares do Governo de João Goulart, acusado de comunista; a derrubada do trabalhismo.

O que a ditadura conseguiu? A cessão da democracia, o fim da escolha da população pelos seus governantes, além de tortura e muita morte, como relata Ana Maria em sua obra.

Capturada pelos órgãos de repressão da ditadura brasileira, a autora foi torturada e interrogada por sua trajetória como militante.  Ela mistura na obra as suas memórias com histórias vistas e ouvidas, destaca e valoriza episódios de que só a grandeza humana é capaz, como quando todas as militantes ficavam em silêncio para Tânia, uma das prisioneiras, cantar perto de uma pequena janela para ser ouvida por seu companheiro, Gabriel, que, com câncer, estava preso no mesmo local, em uma cela distante.

Além de todos os sentimentos embutidos, relata as torturas, pessoas com papéis importantes do lado da resiliência como também do lado dos carrascos, bem como os fascistas voluntários.

Torre das Guerreiras e outras memórias é uma obra para que aquele fatídico 31 de março de 1964 jamais seja esquecido.

Sobre a autora: Ana Maria Ramos Estevão nasceu em Maceió (AL) em 1948. Mudou-se para a cidade de São Paulo em 1953. Quando iniciou o curso de Serviço Social, em 1969, aproximou-se da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização de esquerda que enfrentou a ditadura civil-militar brasileira. Durante o regime, Ramos foi presa três vezes e, em 1974, ficou exilada em Paris. É professora livre-docente aposentada da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e professora adjunta da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). É membra do Sindicato dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes).

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