domingo, 27 de março de 2022

Espiritismo

Raimundo Athanásio de Moraes*

Quando o profeta  João Batista pregava no deserto, aconselhando, publicamente, a quantos por ali passavam a prepararem os seus VEREDOS, certamente não estava referindo-se aos caminhos terrestres, exatamente por que no próprio local, onde eram realizadas as iluminadas pregações, não existiam vegetais.

Portanto, é de conceber-se que o destemido Pregador descortinava novos horizontes, em sentido Espiritual. E para se chegar a uma lógica conclusão, é recomendável não se interpretar, ao  pé da letra, os espirituais dizeres constantes dos Textos da Escritura Sagrada, isso porque nem todos que ouviam as suas palavras eram possuidoras de terrenos. Logo, evidencia-se que  a Pregação prendia-se, exclusivamente, aos CAMINHOS CELESTIAIS. E quanto o Profeta falando, relembrava reafirmando que  os Tempos estavam chegados, certamente a sua AURA MENTAL estava vibrando em FAIXA perispiritualizada. Lamentavelmente, após decorridos quase vinte séculos, muitos cultivadores da SEARA ESPÍRITA, à semelhança de João Batista, continuam pregando no Deserto das incompreensões humanas. E por incrível que, porventura, possa parecer, foi naquele mesmo Deserto que o Apóstolo Paulo de Tarso, após as VOZES que ouvira na Estrada de Damasco, assim consubstanciadas - Saulo, Saulo, por que me persegues? - dedicou-se à sua  original profissão de TECELÃO, o fazendo todavia ao  longo das distâncias, porém seguramente confiante nos  eternos ensinamentos que  nos legara o Divino Mestre JESES CRISTO. O nascimento do menino João Batista, despertou intensa curiosidade entre os habitantes da JUDÉIA, como se esse natural acontecimento significasse um fenômeno extraterreno, tal  era o desenvolvimento mental da  criança. Por isso, pensando-se espiritualmente descobre-se que este Planeta onde vivemos, não estampa outra imagem em derredor de todas as criaturas humanas, se não um imenso. Deserto, em cuja infinita extensão vagueiam os nossos Espíritos percorrendo as diferentes estradas espaciais. Está bastante claro que teremos de nos acomodar, queiramos ou não, com os ditames das determinações divinas, em face dos inevitáveis chamados, através do fenômeno da desencarnação, esse comum acontecimento, que nós chamamos MORTE e inalteradamente, atribuído à todos as criaturas. Ao longo da vida, entretanto, continuaremos palmilhando a estrada do  Destino, ignorando todavia o lugar e a hora da partida para o Mundo da Espiritualidade. Do Mundo nada se  leva, é o substancioso conceito popular. E em verdade tudo pré-relacionado à matéria, deixa-se aqui na Terra somente o ESPIRITO VOA, OBEDECENDO A LEI DA PREDESTINAÇÃO.

A Literatura Espírita, riquíssima em conceitos e ensinamentos, a maioria dos quais acobertados por  Mensagens de ESPÍRITOS ILUMINADOS, muitas oportunidades nos oferece em sentido esclarecedor, bastando para tanto que estudemos à LUZ DA VERDADE, os fenômenos que se  nos deparam diuturnamente.

Aqui mesmo nesta Cidade, temos observado tantas coisas estranhas que em  tempos idos, nos deixaram impressionados. No entanto, através da Doutrina Espírita que postulamos há  muitos anos, temos encontrado, com certa facilidade, justificativas para determinados sofrimentos. Não se faz preciso que citemos nomes, individualmente pessoas. Bastante é que procuremos relembrar fatos e acontecimentos, que tivemos oportunidade de presenciar para se chegar à tona da  realidade em toda a sua plenitude. Muitas pessoas que  atualmente estendem às  suas mãos à CARIDADE PÚBLICA, enfrentando sérias dificuldades e açoitadas pelo vendaval da desventura, já possuíram BENS, FORTUNAS e desfrutam conceitos e posições sociais. Outras, no verdor dos anos, tornam-se inválidas aguardando apenas o divino chamado. Muitos economizam usurariamente, privando-se até da indispensável alimentação. Contudo, após a MORTE, tudo estaciona e nada acompanha na hora da inevitável despedida. Acidentes, os mais impressionantes, predominam ocasionando pesares e sofrimentos físicos tão atordoados, que somente o integrado no campo doutrinário Espírita, encontrará PAZ em si mesmo, para suportar calmamente os angustiantes efeitos desses acontecimentos. Todavia cabe-nos, equidistantes da ganância e da verdade, praticar ATOS DE CARIDADE, atendendo as palavras do Divino Mestre JESUS CRISTO que assim se pronunciou: - "AMAI-VOS UNS AOS OUTROS, COMO EU VOS AMEI". Assim nos comportando, poderemos faturar alguns pontos, na  peleja para o aprimoramento e a perfeição espiritual. Forçosamente teremos de  atender obedientemente,  às determinações celestiais, através do que pontifica soberanamente e sem distinção de pessoas, a poderosa Lei do Divino que permanece atravessando os TEMPOS inalteradamente.

*Médico, jornalista, historiador e político | Garanhuns, 13 de Agosto de 1977 | Jornal O Monitor.

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