sexta-feira, 11 de março de 2022

Garanhuns moleque


Maurilo Campos Matos

Garanhuns moleque, 

Moleque feliz,

De calção verde e boina azul

Com flocos de nuvem.

Nas noites frias

Poreja estrelas.

Nas noites quentes

Goteja orvalho.

Gosto de ver teus braços

De rua com mangas de pedra,

Estendidos nos montes

Que ondulam as serras.


Moleque elegante

De roupa granfina:

Blusão de mosaico,

Botões de mercúrio,

Tem voz de "boate",

Olhar de piscina.


Moleque de rua

Da Rua da Foice,

De mangas arregaçadas.

Metido nas calças cáqui

Dos barrancos

Com duas listras

De ferro,

Por onde passa

Soprando, afobado,

Latindo, cansado,

Focinho no chão,

Cachorro danado,

Com o faro na pista

Da velha estação.


Moleque de recado

Pregoeiro sem rival

Que fala com a boca de quem toma

Água Mineral.


Moleque boêmio

Que bebe, e não cai,

Canadas de chuva

E não gasta um tostão.


Moleque menino

Que vive urinando

Nas fraldas dos montes

De inverno a verão.


Moleque traquina,

De noite anda à toa, 

Bebendo neblina,

Fumando garoa.

Garanhuns | 11 de Agosto de 1963.

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