sábado, 19 de março de 2022

História de Garanhuns

Rua Santo Antônio - Década de 1920.
Alfredo Vieira*

Quando chegamos a Garanhuns, fomos morar na Rua Santo Antônio em ampla casa, pertencente a D. Maria Dilletiere, viúva do Sr. Nicolau Dilletiere, do alto comércio de Garanhuns. D. Maria, assumiu os negócios do  seu marido, na casa comercial, que ficava no princípio da Rua do Cajueiro, onde eu ia pagar sempre os aluguéis de nossa casa, cujo preço era 20$000 (vinte mil réis) mensais.

A nossa casa era bastante grande: duas salas, uma servindo de escritório, e outra de visitas, quatro quartos, corredor, cozinha, quarto de empregada e sanitário no fim do quintal. Nossos vizinhos eram, do lado esquerdo D. Engrácia e sua genitora, D. Ludovina Guimarães, irmã e mãe do comerciante Bernardino Ferreira Guimarães, proprietário do "Grande Armazém das 10 Portas". A casa de D. Engrácia tinha no seu quintal um  jardim muito bem cuidado, onde predominavam muito bem cuidado, onde predominavam avencas e amores perfeitos. Logo em seguida vinha a casa de Dr. Ivo Rangel, "doublê" de dentista e diretor da Companhia de Melhoramentos de Garanhuns. Do lado direito, ficava a casa comercial de Sebastião Pacheco, armazém de tecidos em grosso; a residência da família Valença, a casa de Pedro carneiro Leão Sobrinho e o seu consultório, a residência do Prof. Luís Brasil e o  seu cartório.

Menino ainda, bastante vivo para a minha idade, era assíduo frequentador dos vizinhos, em verdade todos amigos de nossa família. A rua Santo Antônio, quando ali moramos até 1928, não era calçada. havia defronte de nossa casa uma frondosa "Cajarana", cujos frutos eram disputados a pedradas pelos meninos da redondeza. A rua era bem larga, e era o  centro por excelência, de todas as atividades sociais, sobretudo pelas famílias ali residentes: D. Lindú Brasileiro, e seus filhos; D. Maria Dilletiere e seus filhos Angelina, Carmen, Miquelina e Duda; Antonio Brasileiro, família Leitão, família Caldas, família Grossi, cuja chefe era a Sra. D. Raquel; família Felinto Velho, D. Júlia Brasileiro (Agente do Correio), Antonio Pedrosa e família, Godofredo do Rego Barros e família, família Ernesto Dourado, família Viana de Siqueira, família Fausto Lemos e Palácio do Bispo. Todas estas residências ficavam na parte em que se iniciava a Rua 13 de Maio, até o Hotel Familiar, e o sítio do Sr. João carneiro, já nas vizinhanças da Catedral de Garanhuns. Se a memória não me falha, estas eram as famílias que moravam nas proximidades da nossa casa.

Anos depois, tudo ficou mudado. As famílias foram vindo para o  Recife, outras fizeram suas casas modernas no bairro do Heliópolis (Arraial), onde o espírito empreendedor de José Maria Dourado (Pipe), na intimidade, fez construir uma nova cidade.

Esta, uma lembrança muito pessoas de Garanhuns do meu tempo.

*Jornalista, escritor, historiador e advogado | Garanhuns do Meu Tempo | Ano 1981.

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