terça-feira, 22 de março de 2022

História de Garanhuns

O governador Caetano Pinto de Miranda Montenegro (foto), sem dúvida alguma, dentro de suas limitações, era legítimo defensor das povoações interioranas de Pernambuco e, como governante, o maior conhecedor de seus problemas e de suas reivindicações. Comprovando mais  uma vez sua perene preocupação pelo progresso e desenvolvimento daqueles distantes núcleos populacionais, em 6 de dezembro de 1810, remete ofício ao príncipe-regente, através do qual lhe sugere a criação de Vilas/Municípios na  Zona da Mata e no Agreste da Capitania, tais, como em Santo Antão, Paudalho, Cabo de Santo Agostinho, Garanhuns e Limoeiro.

Para cativar D. João que havia adorado as frutas pernambucanas em sua passagem pela costa da Capitania, o esperto governador, poucos dias depois do envio daquela mensagem reivindicatória, manda para a Corte uma carga de melancias, com uma carta levada em mãos, pelo portador, e assim redigida:

"Ilmo, e Exmo. Sr. - Começa o tempo das melancias; e, posto que as primeiras não sejam tão boas, espero que entre as 197 que remeto pelo bergantim americano denominado Joseph cheguem algumas capazes de entrar na  sobremesa de S. A. Real, das quais fará entrega José Januário de Carvalho, negociante desta praça, que traz fretado o  dito bergantim. Deus guarde a V. Exc. muitos anos. Recife de Pernambuco, em 20 de dezembro de 1810. (Ao) Ilmo. e Exmo. Conde de Linhares. - Caetano Pinto de Miranda Montenegro."

Foi tiro e queda. Guloso, D. João empanturrou-se de tanto chupar as melancias pernambucanas e, comovido com a gentileza, baixou Alvará, criando as Vilas/Município sugeridas no ofício de 6 de dezembro.

Carta Régia de 10 de Março de 1811
"Por provisão régia de 19 de agosto de 1816 foi criada (por solicitação de Caetano Pinto) uma cadeira de latim na  Vila da Barra, com o ordenado de 350$000 anuais, e outras  de primeiras letras na Comarca do Sertão de Pernambuco, sendo uma naquela referida vila, e as outras nas de Pilão Arcado, Flores e Garanhuns."

Caetano Pinto de Miranda Montenegro faleceu em avançada idade em 11 de janeiro de 1827, e  foi inumado na  Igreja do Convento de Santo Antônio, do Rio de Janeiro.

Intelectual de alta sensibilidade e cultura vasta, homem de boa paz e de coração generoso, administrador eficiente e honesto, Caetano Pinto de Miranda Montenegro dedicou treze anos de sua vida a Pernambuco, dando o melhor de si em favor dos pernambucanos em geral. Nenhum dos nossos governantes - nem antes nem depois dele - conheceu tão bem o primitivo e vasto território da Capitania duartina quanto Caetano Pinto. Conhecendo de perto as terras do Sertão e  Agreste de Pernambuco, seu abandono, sua falta de oportunidade para progredir, seus mais angustiantes problemas e sua mais prementes reivindicações, Caetano Pinto administrou a Capitania e, depois, Província, quase sempre voltado para o seu interior, modernizando seus caminhos, distribuindo racionalmente suas terras, combatendo seus latifúndios improdutivos, enfrentando os poderosos baianos da Casa da Torre, sugerindo a criação de Municípios da importância de Flores, Pilão Arcado, Garanhuns, Limoeiro, santo Antão, entre outros, e criados, tratando de instalá-los o quanto antes, mandando funcionar a Comarca do sertão (surgida por lembrança sua) e pedindo a criação da Comarca do são Francisco, defendendo com unhas e dentes a integridade territorial de Pernambuco, sempre ameaçada pelas autoridades da Bahia. A este respeito, por sinal, enquanto governou Pernambuco jamais permitiu a intervenção baiana nos negócios pernambucanos. Por triste coincidência, 1827, ano da morte de  Caetano Pinto, o grande defensor do território pernambucano até a Carinhanha (a jurisdição da Comarca do São Francisco), também é o ano em que o dito território foi anexado, "provisoriamente", à província da Bahia e tudo, até hoje, ficou por isso mesmo - o provisório virando eterno, verdadeira esculhambação, e nenhum outro chefe governamental de  Pernambuco lutando, como lutara Caetano Pinto, para restabelecer a integridade territorial da primitiva capitania duartina.

Fonte:  Texto: CAETANO PINTO - 1º PRESIDENTE DA PROVÍNCIA DE PERNAMBUCO  - NELSON BARBALHO - Revista de História  Municipal | Divulgando a História Municipal | CEHM 20 Anos 1996 - FIAM - Agosto de 1997 | Nº 7.

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