quinta-feira, 31 de março de 2022

História de Garanhuns

Foto: Colheita de trigo na Fazendo do engenheiro agrônomo Afonso Notaro, entre eles Dom Mário Vilas Boas e o Prefeito Celso Galvão em 1939. Afonso Notaro formou-se na Itália sua terra natal, imigrante chegou acompanhado de dois outros irmãos e aqui casou com uma moça Garanhuense, sobrinha do deputado Júlio Brasileiro e deste casamento gerou 13 filhos, entre eles  Mário Notaro, casado com Edelzia,  irmã de D. Edjenalva (Nalva), casado com Ivo Amaral. Afonso foi um grande agricultor e trouxe seus conhecimentos para Garanhuns.

Cultura do Trigo - Levando em conta os resultados das experiências na cultura do trigo, feita por alguns agricultores, não temos dúvidas de que, se essa cultura houve merecido o amparo do Governo, esse produto seria hoje a base principal da riqueza deste município. Por cerca do último ano do século passado (XIX), pelo mesmo iniciador da cultura do Café, Capitão Luiz Burgo, foi ensaiada a do trigo no sítio Monte (hoje Fazenda Monteiro) que constatou a ótima qualidade do solo com as esplêndidas espigas produzidas. A cultura não pode ser incrementada, devido a impossibilidade da aquisição de um moinho. Com os melhores e satisfatórios resultados, em 1920, foram feitas novas experiências: na Fazenda Monteiro (antigo Sítio Monte), pelo seu proprietário Eurico Monteiro; por Vicente José Dantas, no seu Sítio Brejo das Flores; e, principalmente, na Fazenda Imaculada Conceição. (Antigo Sítio laranjeiras) - outrora Sítio do Buraco) pelo seu proprietário, mestre de (cultura agrícola) Afonso Notaro que, com o fim de estimular a outros agricultores, e assim interessar o Governo do Estado na montagem de um moinho, enchia carroças com espigas e, como várias vezes presenciamos, percorria as feiras distribuindo-as, em conjunto com boletins impressos contendo ensinamentos para a cultura do trigo.

Por fim em 1935, o Dr. Ruber van der Linden, no distrito de Brejão, em  um sítio que dominou Fazenda São Paulo, já interessado por estabelecer definitivamente, a cultura do trigo no Município, conseguiu reanimar os supra ditos agricultores, que antes haviam tentado o cultivo desse cereal, e todos fizeram novas plantações.

Dirigindo-se, insistentemente, ao Governo do Estado, o Dr. Ruber van der Linden pôde assim conseguir a montagem de um pequeno moinho, o que incentivou a outros agricultores, até de vizinhos Municípios, como aconteceu no distrito de Calçado (hoje Município), onde o agricultor José Marques plantou uma grande área colhendo satisfatória produção, assim o plantio de trigo foi bastante aumentado. Colhida a safra, foi festivamente, iniciada a moagem e fabricados os primeiros pães, sendo estes distribuídos às  autoridades locais e a maior parte enviada às secretarias e ao governador do Estado, como demonstração do bom êxito obtido. Resultado: o Governo mandou desmontar o moinho, sem dar tempo para a moagem da colheita. Diante desta decepção, ninguém pensou mais em cultivar o trigo. (Fonte: Alfredo Leite Cavalcanti | História de Garanhuns | Volume II | Garanhuns, Fevereiro de 1973. Acervo: Memorial Ulisses Viana de Barros Neto).

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