terça-feira, 15 de março de 2022

História de Garanhuns

Ponto de táxi na Rua Santos Dumont na década de 1930.
Jaime Luna*

Passou há pouco pelo Recife onde teve oportunidade de fazer algumas exibições, o campeão mundial de bilhar Enrique Navarra, de nacionalidade argentina. O homem faz diabruras num bilhar.

Com idade de 50 anos, o Sr. Navarra começou a jogar desde os 5 anos, o que  lhe valeu durante esse longo período aperfeiçoar-se de modo a sagrar-se campeão mundial em disputa na Bélgica e em outros países da  Europa e da América. As suas exibições demonstram na verdade, tratar-se de um  excepcional jogador com jogadas verdadeiramente incríveis, enfim um estilista completo.

Lembramo-nos, então, de um filho desta terra - Antônio Hilário Sobral - que desde cedo começou a jogar bilhar, tornando-se exímio jogador, sem contudo possuir o estilo e as facetas do  campeão argentino. Com  calma, estudando as posições das carambolas, vencia a todos os seus concorrentes.

Já não tinha com quem jogar taco-a-taco. Os parceiros que conseguia precisavam necessariamente pontos de usura para poderem travar as partidas. As apostas por fora eram muitas com fortes torcidas na maioria das vezes.

Formava-se uma verdadeira aglomeração em redor do bilhar em que jogava. Uma festa para os assistentes.

De uma feita lá pelo já distante ano de 1923, num dos salões de bilhar da Antônio Fogo - GARANHUNS RECREIO ou RECREIO MONTE CARLO ali na Rua Santos Dumont, o grande número de pessoas que  assistia a uma partida de  bilhar prorrompeu aos brados e aplausos com inusitada vibração. Antônio Hilário acabava de dar uma tacada de 1.070 carambolas. A então pacata cidade de Garanhuns não se ocupou de outro assunto durante dias: a façanha do nosso conterrâneo.

Viajou Hilário algumas vezes ao Recife para jogar com Brandãozinho, o mais conhecido e afamado jogador de bilhar da Capital pernambucana na década de 1920. As partidas se travaram no grande salão de bilhares do RECIFE HOTEL, à Rua do Imperador onde existiam na época 18 mesas de bilhar.

Quando os dois iniciavam as partidas e Antônio Hilário começava a esboçar superioridade, crescia o número de assistentes, os restantes bilhares paravam a  sua movimentação e as atenções se voltavam unicamente para o jogo principal. Os que assistiam entusiasmados faziam apostas e davam palpites. Antônio Hilário regressava sempre com a vitória.

Além de jogar bem, Antônio Hilário foi boêmio. Tocava bem o violão e quando se aproximavam as festas juninas, era disputado por aqueles que organizavam danças para marcar a "quadrilha". Morreu ainda moço e quase de repente.

*Jornalista e historiador | Garanhuns, 27 de Agosto de 1977 | Jornal O Monitor.

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