quinta-feira, 17 de março de 2022

História de Garanhuns

Alfredo Leite Cavalcanti*

Educação no final do século XIX e início do século XX - Apesar do interesse por nós empregado não encontramos dados que nos esclarecessem a maneira de como alguns dos nossos primitivos povoadores conseguiram a instrução para alguns  dos seus filhos que assim puderam exercer cargos públicos e até interpretarem leis e advogar.

Levando em conta a raridade de documentos primitivos assinados pelos interessados, sem usarem o sinal da cruz, calculamos que de cada mil, cinco ou seis pessoas aprendiam as primeiras letras e assinar os seus nomes. Entretanto, se pode presumir, que a instrução nas primeiras letras foi aos  poucos ganhando difusão por intermédios daqueles advogados por se constar o respectivo lecionamento em 1820, pelo advogado Estevam Soares Leitão de Albuquerque.

Através das buscas, nada se encontrou sobre a existência de escolas mantidas pelos poderes públicos, antes do curso primário para o sexo masculino, existente em 1878,  a cargo do professor Manoel Clemente da Costa Santos. Para o sexo feminino, só temos conhecimento de escolas a começar em 1884, quando de Quipapá foi para aqui removida a professora dona Liliosa Silvina de Oliveira e Silva, já então casada com o Capitão Napoleão Marques Galvão. Com verdadeira dedicação à causa, durante anos, dona Liliosa aqui exerceu o magistério proporcionando ótimo aproveitamento às suas alunas, e até despertando-lhes vocação pelo ensino, como aconteceu com dona Elisa Coelho, que, atualmente contando 83 anos de idade preza-se de haver sido uma das suas discípulas.

Pouco anos depois de concluído o curso primário, dona Elisa Coelho, embora não o fizesse por necessidade de manutenção, visto ser de família suficientemente abastada, porém impulsionada por amor à causa, criou uma  escola mista particular, na qual empregava os mesmos métodos da sua professora, isso fazendo durante os trinta e oito anos que a isso se dedicou. Lecionou o curso primário a mais de dois mil alunos, muitos dos quais são hoje portadores de títulos e ostentam anéis simbólicos.

A seguir, vamos relembrar a memória do professor Arthur Brasiliense Maia, com a transcrição na íntegra de um trabalho seu publicado no "Álbum do Município de Garanhuns que, por iniciativa da Abdísio Vespasiano e Álvaro Lemos, foi editado em 1922, em comemoração ao primeiro centenário da Independência do Brasil:

"A INSTRUÇÃO EM GARANHUNS"

Pelo professor Arthur Maia

"Por demais espinhosa é a difícil tarefa a que nos propusemos dizer sobre a nossa instrução primária e secundaria, pública ou particular. Não é assunto para ser tratado em um artigo escrito nos poucos instantes que nos deixa a terrível "luta pela vida", mas detidamente, dada a grande importância que merece. Relativamente, muito  temos feito, de algum tempo a esta parte, atendendo-se a que somente há alguns anos as iniciativas públicas e particulares se voltaram mais  afanosas, para o magno problema a que nos vimos referido.  Aqueles que, porventura, haja contribuído com qualquer partícula mínima que seja de suas luzes, para o espancamento das negras trevas da ignorância, entre nós, queiram nos desculpar a omissão dos seus homens, pois não fazemos propositadamente mas por deficiência, não só de tempo como de documentos."

"- Sem nos esquecermos do nome do velho professor João Frederico, um dos mais fortes baluartes da instrução entre nós, - pois foram seus alunos muitos garanhuenses que hoje ocupam saliente posição em nosso estado, como Souto Filho, e Santos Leite - lembramo-nos de que a primeira tentativa de um estabelecimento modelar de ensino em Garanhuns, começou com o "Colégio Acioly". Não nos foi possível saber a data de sua fundação, quando foi extinto e que tempo teve de vida. Sabemos, entretanto, que, entre outros, foram seus discentes: Augusto de Oliveira Galvão, de quem fomos contemporâneos na Escola Pública Estadual, sob a direção do professor Manoel Clemente e Coelho Filho.

"- Augusto de Oliveira Galvão é hoje professor de Matemática da Escola Normal de Maceió, e distinto advogado. Ocupou, com muito brilho e critério, a promotoria pública de Penedo, Alagoas, tendo sido, por algum tempo, primeiro Promotor da Capital do mesmo estado. Exerceu, ultimamente o elevado posto de Secretário do Interior, na  segunda administração de Dr. Fernandes Lima.

" - Coelho Filho foi lente de Geografia do Liceu de Artes e Ofícios de Maceió e é hoje Secretário do Monte Pio Estadual de Alagoas, cargo que ocupa a longos anos, e que vem emprestando o brilho de sua inteligência e o critério de sua honestidade.

"Em que pese aqueles que, por qualquer motivo, não esposam opinião, temos  necessidade de dizer - e o fazemos sem o mais leve resquício de apaixonamento, - que a glória das primeiras luzes definidas entre nós cabe ao protestantismo presbiteriano, por iniciativa do então Pastor Martinho Oliveira, já falecido. "Com a enumeração deste fato, não queremos absolutamente, afirmar que antes não soubemos ler mas tão somente deixamos patente que os membros da seita a que nos acabamos de referir coube a tarefa, gloriosa e difícil, difícil e sublime de encarar mais seriamente o grande problema que constitui "a obra mais patriótica e meritória da moderna civilização", em nosso meio.

"Fundado em 1900, o "Colégio Evangélico", prestou Martinho Oliveira inestimáveis serviços, tanto a seus irmãos de crença como aos demais alunos que não comungavam as suas ideias, pois o citado colégio e todos, sem qualquer distinção ministrava as luzes do saber. Foram seus alunos mais distintos: - Leopoldina Malta, Jerônimo Gueiros, atual pastor de segunda Igreja Presbiteriana do Recife, diretor da Escola Normal do Estado e lente de História da Civilização da mesma Escola, Antônio Gueiros, pastor da Igreja desta cidade, Manoel Ramiro, Soriano Furtado, Revs. Dr. Antônio Almeida, Mota Sobrinho, Alfredo Ferreira, Bejamim Marinho e Luiz Vilela e outros mais de que não recordamos.

"O Colégio Evangélico", que foi transformado em Colégio 15 de Novembro, vem continuando a obra iniciada por Martinho Oliveira, e, teve, até a presente data, os seguintes distintos alunos: José Martins, Cícero Siqueira, Nathanael Cortez, Antonio Vitalino, Antonio Montenegro, Sebastião Gomes, João Gadelha, Antonio Teixeira Gueiros (bacharel em Direito), todos pastores protestantes, Elpídio Branco, bacharel em Direito e outros. É atualmente diretor do "15 de Novembro", o esforçado educador norte-americano Rev. Dr. George W. Taylor. Este importante estabelecimento de educação se baseia nos melhores e mais modernos do ensino. O Kindergarten é ali usado "em grande parte, de maneira a tornar suave a crença, o desenvolvimento da sua mente. O manual training é um dos importantes características do curso primeiro.

"Incitados por esse verdadeiro rasgo de Caridade - pois é grande obra de misericórdia ensinar aos que não sabem - despertaram, então os poderes públicos e, de mãos dadas aqueles que, particularmente, se dedicam à elevada missão de iluminar cérebros que jazem imersos em noite profundíssima de ignorância, trataram de tomar na devida consideração aquilo de que se haviam esquecidos os seus antecessores.

"Ao operoso espírito do saudoso Monsenhor Afonso Pequeno devemos a criação da "Escola Paroquial", origem do acreditado estabelecimento de instrução que é hoje o "Ginásio de Garanhuns". Fundado pelo Cônego Benigno Lyra é, por si, obra bastante capaz de sagrar com benemérito o seu fundador. Competentemente dirigido pelo Padre José Ferreira de Antero, faz jus à preferência que lhe  dispensam os pais e tutores do muitos alunos que o frequentam. Dele têm saído espíritos inteligentes e bem formados, e sua nomeada não decresce; ao contrário, aumenta com o evoluir ininterrupto dos tempos."

"De outros estabelecimentos particulares de instrução podemos, ainda falar, citando entre eles, o "Externato Aquino", fundado e  dirigido pelo bacharel Eduardo de Aquino Fonseca, ex-promotor Público e Juiz Municipal desta comarca. A esse pertenceram muitos jovens, alguns já formados hoje. Sempre que conversamos com o ex-membro do então corpo discente, ouvimos-lhe as melhores referências ao citado estabelecimento e ao seu digno e competente ex-fundador - diretor.

"E são justíssimas, pois o bacharel Eduardo de Aquino Fonseca de quem fomos aluno em curso noturno do "Externato", é um verdadeiro espírito de pedagogo. Tivemos a honra de que nos envaidecemos, de ter dirigido, de algum tempo sua extinção. Além de alunos do curso diurno de que fizeram parte Antonio Medeiros, Antonio Veloso, Carlos Miranda, Abel de Sales, Victor Grossi, Tancredo Ferreira, Sebastião Brandão, Francisco leal, Lucio Brasil Junior, e outros muitos, citaremos alguns do noturno: Tomaz Neves Zuzart, Arthur e Tomaz Maia, José Paes de Barros (Cuju), Henrique e Álvaro Câmara, Luiz de França Brasil, Dario Rego, Antônio Dantas, etc. Escolas "Martins Júnior", (Externato misto). Fundado e dirigido pelo professor contratado em Poções e Tacaratú. Funciona atualmente, à Rua Dr. José Mariano nº 51). Dentre seus alunos distintos, destaca-se a senhorita Maria de  Lourdes Vila Nova, ora professora municipal nesta cidade. Escola Raul Pompeia". Fundada em 1917 e dirigida pelo humilde subscritor destas linhas (Arthur Maia). Externato misto de instrução primária e secundária. Funcionou com algumas interrupções, até 10 de Outubro de 1918 quando, por circunstâncias do momento, foram suspensas as suas aulas. Mantinha regularmente a rapazes do comércio.

"Dos que fizeram parte dos seus cursos diurno e noturno, destacam-se além de outros os seguintes: Francisco Sales Jorge, hoje em Roma onde se está preparando para o ministério católico; Agobar Valença, idem, no seminário de Olinda; Maria Joaquina dos Santos, professora Municipal em Mochila, do 4º distrito - Brejão; Albertina Fragoso, uma das mais competentes professores publicas municipais desta cidade; Luiz Jardim guarda livros na capital do estado, etc.

"Atualmente, o diretor da Escola "Raul Pompeia" ministra instrução a pessoas, isoladamente por não lhe ser possível manter a escola. O seu método é intuitivo.

"Escola Philomena Pinto", regida pela professora que lhe dá o nome, e auxiliada pela irmã da diretora. Dedica-se não só ao ensino de letras como ao de trabalhos manuais (agulha, etc) e piano. 

"Escolas Leonor Porto", fundada e dirigida pela professora Albertina de Moraes Fragoso. Suspendeu as aulas em vista de ter a sua  diretora aceitado uma cadeira pública municipal nesta cidade.

"Colégio Santa Sofia" dirigido pelas damas de instrução cristã. "Funciona em ótimo prédio próprio, higienizado, e amplo, tendo jardim, moinho para a extração de água, banheiro e o mais de que necessita um estabelecimento congênere. É externato e internato. Frequentado por muitas alunas, deste  de outros estados. Dedica-se ao ensino de letras, pinturas, desenho, música, trabalhos manuais, etc. Espera ser equiparado à Escola Normal do Estado. O ensino é pago pelos pais ou responsáveis pelas alunas que o frequentam. Todos os anos há por ocasião do encerramento das aulas, uma exposição de trabalhos executados pelas alunas durante o  ano escolar, revelando muitos alto grau de aproveitamento. Mantém grátis, um curso noturno para moças pobres.

"Escola Frei Caneca", (externato misto) fundada a 6 de março de 1917, por inspiração do "Instituto Arqueológico de Pernambuco" que solicitou ao cônego doutor Benigno Lira para que a citada escola fosse dado o nome de um dos heróis da revolução de 1817. Dirigida por Dona Elisa Coelho, conta com uma matrícula de 57 alunos sendo frequentada por 40. Além de letras, ensina trabalhos de agulha, etc...

"Mantidas por sociedades, temos a escola do "Centro Proletário", decano na disseminação do ensino grátis as classes desfavorecidas da fortuna e a Escola Noturna "Dom João de Moura", da Liga contra o analfabetismo. Da primeira são professores - Antonio Pantaleão dos Santos e Antonio Augusto; da segunda, Arthur Maia auxiliado por João Vieira dos santos, ambos funcionam a noite e  tem colhido, apesar das múltiplas dificuldades com que lutam -  entre elas avulta a falta de gosto da parte dos que frequentam - os mais lisonjeiros frutos.

Convém salientar, com causas precípua do afastamento dos alunos, a desbragada jogatina reinante entre nós. O diretor da escola "Dom João Moura", bem o seu auxiliar tem tido, inúmeras vezes, necessidade de ir aos bilhares - verdadeiros focos de perdição e  de imoralidade! - convidar aos alunos a deixar o jogo a fim de  comparecerem as aulas. É provável que suceda o mesmo com a  do "Centro" e com outras. Cumprindo um dever que reputamos sagrado, daqui fazemos às autoridades constituídas um fervoroso apelo para que ponham termo e a semelhante irregularidade, deponente de nossos foros de cidade civilizada."

"Custeada pela "Usina Garanhuns", de Trajano Medeiros, funciona à noite uma escola de instrução primária, para meninos e rapazes pobres. É seu professor Apilio dos Santos, que há longos anos se dedica ao magistério particular, tendo exercido o mesmo cargo na Escola do "Centro e no extinto "Sindicato Agrícola", de onde saíram diplomados diversos alunos, que exercem a profissão de mestre cultura. Entre  eles salientam-se: Ramiro E. Barros, ora funcionário do Ministério da Agricultura, no Rio de Janeiro. Osvaldo Jardim e Cassiano Silva. A instrução pública municipal compõe-se de 4 cadeiras na sede, regidas pelas professoras Albertina Fragoso, Maria de Lourdes Vila Nova, Maria Gomes R. Josué, a  4ª  cadeira acha-se vaga; 7 dos distritos: São João, Angelim, Brejão, Serra de São Luiz de Gonzaga, São Pedro, São Caetano, Timbó e Mochila, com número superior a quatrocentos alunos.

"A municipalidade subvenciona com um pequeno auxílio a muitas escolas particulares quer na sede que nos distritos. Para a nossa instrução, concorre o Estado com um Grupo Escolar "Severino Pinheiro" na sede, o qual é composto das professoras: Almira Ribeiro de Carvalho, Elvira Viana, Edwiges Magalhães, Aurea Martins e Anunciado Coutinho. Sua matrícula é de 128 alunos, sendo os métodos  adaptados, os modernos. Mantém ainda, escolas nos seguintes distritos: São João, regida pela professora Angelice Paes, 32 alunos; professora Maria de Sá van der  Linden, 24 alunos, e Brejão, professor José Miranda, 29 alunos. O  total dos que frequentam as novas escolas, atinge a cifra de 2.226, que julgamos muita baixa, considerando-se a nova população, que  é, pela última estatística, (1920), superior a 63.000 habitantes. Seja nos permitindo, para finalizar estas ligeiras e despretensiosas linhas, fazer aqueles que, neste município, se entreguem ao magistério, um delicado e fervoroso apelo: abandonarem, por uma vez o arcaico e prejudicial método de soletração e a prejudicialíssima forma de decorar mecanicamente. A grande  maioria de  nossos estabelecimentos de ensino, é triste dizê-lo segue ainda o rotineiro método de alguns séculos passados, havendo até, quem afirme não saber (como se pode ensinar sem soletração e sem livros). Entretanto, é muito fácil, facílimo mesmo; dependendo apenas, de gosto e de um pouquinho de esforço. Por experiência própria, podemos garantir que os frutos virão muito mais  ligeiro e porventura mais doces. Devemos progredir, e não retrogradar. Avante pois, Garanhuns 1922.

Conforme o trabalho do professor Arthur Maia, transcrito acima, havia no  ano de 1922, 11 escolas municipais e 8 estaduais, além das particulares, assim como o número de alunos, de todos os estabelecimentos de ensino, em todo município, com uma população de 63.000 habitantes, apenas se elevava a 2.226. Entretanto, não obstante o desmembramento do distrito de Angelim, que em  1928, passou a fazer parte do Município de Palmeirina, o número das escolas municipais, em 1930, já se elevava a 14. Com a Revolução de 1930, no ano seguinte, o interventor federal neste Estado, Dr. Carlos de Lima Cavalcanti, nomeou o cidadão Mário Sarmento Pereira de Lira, para exercer o cargo de Prefeito deste Município, e este durante os 4 anos que exerceu, elevou o número das escolas municipais para 72, e por isto, foi por todos chamado: - O Prefeito da Instrução.

Durante o regime ditatorial, estabelecido nos finais de 1936, nem um progresso se verificou pelo governo municipal, no que se refere à instrução, porém com a volta do regime constitucional, foi iniciado um novo impulso que, conforme os dados gentilmente fornecidos pela inspetora municipal do ensino, professora Virgínia Garcia Bessa, até agora, já produziu o seguinte resultado. Em 1955 o número de escolas municipais já se elevava a 104, contando com 2.890 alunos matriculados e uma frequência média de 2.178. No ano seguinte estes números foram aumentados. As escolas passaram a ser 154, com uma matrícula de 4.829 alunos e registrando-se uma frequência média de 3.615 alunos. Em 1957 as escolas municipais já atingindo o número de 164, com uma matrícula de 6.089 alunos e contando com uma frequência de 5.242, em média. Com a criação de 16 escolas municipais em 1958, o número de cadeiras escolares elevou-se para 180, sendo 143 escolas isoladas e 37 constituindo 3 grupos escolas e 3 escolas reunidas. O número de matrículas se elevou para 6.386 alunos, enquanto a frequência diminuiu para 5.000. Dois dos grupos escolares funcionam na cidade e o último na Vila de São João. Na cidade o Grupo Escolar João Pessoa que serve de padrão, composto de 9 cadeiras, sob a direção da Professora D. Helena Martorelli Cordeiro e o Grupo Escolar Arthur Maia, sob a direção da Professora D. Argemira Ermíria de Lima, também composto de 9 cadeiras, sendo duas de  trabalhos manuais. O terceiro, é o Grupo Escolar General Joaquim Inácio, composto de 5 cadeiras, sob a direção da professora D. Laurizete Arruda de Lima.

A professora D. Maria das Dores Figueiredo de Lima, é a diretora das Escolas Reunidas Centro Social São Geraldo, composta de 8 cadeiras e a professora D. Tereza Vieira Belo, dirige as 4 cadeiras que compõem as Escolas Reunidas Dom Mário, ambas na cidade. É diretora das Escolas Reunidas de Miracica, composta de 3 cadeiras, a professora D. Lindaura Cordeiro Mororó.

Em 1959, foi criada uma escola de Trabalhos manuais. O número de matrículas elevou-se para 6.500 e o de frequência para 5.834. Em 1960, registrou-se uma elevação no número de matrículas que atingiu a 7.020, o mesmo ocorrendo quanto à frequência, que se elevou para 6.542. Em 1961, o número total de alunos matriculados em todas as escolas municipais era de 7.089, com uma frequência média de 6.954. Além das Escolas destinadas ao ensino de letras e trabalhos manuais há também a escola de música, dirigida pelo professor Luiz de Figueiredo. Em 1957, conforme os dados fornecidos pela professora D. Maria Luiza de Melo, então exercendo as funções de inspetora do  Ensino Primário Estadual, nesta sede regional, o número de cadeiras escolares mantido pelo Governo do Estado, neste Município, eleva-se a 46; sendo 31 cadeiras na cidade com 842 alunos matriculados e uma frequência média de 718,e as 15 cadeiras restantes situadas nos distritos com matrícula de 480, com a frequência de 423 alunos. Pelo exposto, vê-se que o total de alunos matriculados nas escolas estaduais, naquele ano, já se elevava a 1.312, com uma frequência média de 1.141. De conformidade com os dados fornecidos pela professora D. Francisca de Andrade Lima Rocha que sucedeu a D. Maria Luiza de Melo, o desenvolvimento do ensino primário estadual, em todo o Município de Garanhuns, até o primeiro semestre do ano de 1961, era o seguinte: em 1960 o número de cadeiras escolares aumentou para 55, sendo 45 cadeiras na cidade e 10 nos distritos. E no primeiro semestre de 1961, o número de cadeiras foi aumentando para 73, sendo 61 delas na  cidade, com uma matrícula de 1.941, registrando uma frequência de 1.431, e as 12 cadeiras restantes localizadas nos distritos, com 440 alunos matriculados, e frequência de 325. Pelo exposto se verifica a existência, em todo o município, de  1.941 alunos matriculados nas 73 cadeiras escolares mantidas pelo Governo Estadual, com a frequência de 1.756. Estes números somados com os 7.089 das 181 cadeiras municipais acima referidas, perfazem o total da existência atual de 254 cadeiras de ensino primário, mantidas pelos dois governos, com a matrícula de 9.470 alunos e a frequência média de 8.715.

Há também, em todo o Município, 8 escolas particulares de curso primário, todas localizadas na cidade, cujas matrículas iniciais no primeiro semestre deste ano de 1961, conforme informação que o departamento Estadual de Estatística, nos forneceu, foram as seguintes: 

Escolas Ruho Butler, 32; Escola Sete de Setembro, 43; Escola Santo Antônio 116; Escola São Miguel,(4 turnos),  512; Escola Dom Expedito 86; Escola Nossa Senhora Auxiliadora, 70; Instituto São José, 35; e Escola Arcelino Matos, 26. O total de 920 alunos matriculados nestas mencionadas escolas, somados aos 9.470 matriculados nas escolas públicas, eleva esse número para 10.390. A seguir mencionados os números de matrículas em cada colégio, ginásio e seminário aqui existente, neste ano de 1961.

O Colégio 15 de Novembro, que em 1957, conforme um trabalho histórico da sua secretária, professora Corália Vilela, o qual adiante transcreveremos, mantinha os seguintes cursos: Ginasial, Clássico, Científico, Admissão e Primário, com um total de 486 alunos. Neste ano de 1961, criou mais o curso Pedagógico (1ª série) e, de conformidade com os dados fornecidos pela referida secretária, os números de alunos matriculados nesses cursos, são respectivamente: 223 - 32 - 57 - 49 - 249 - e 9, perfazendo assim o total de  619. O número de alunos matriculados no Colégio Diocesano de Garanhuns em  em todos os cursos por ele mantidos, conforme um trabalho histórico de seu atual diretor, Mons. Adelmar da Mota Valença, a nós atenciosamente fornecido em 1957, e que transcreveremos adiante, naquele ano se elevava o número de alunos a 1.179. Já neste corrente ano de 1961, conforme os dados que a sua secretária Dona Arlinda da Mota Valença, se dignou nos oferecer, foram matriculados: no curso ginasial, 647; no curso científico, 196; no curso clássico, 12; no curso de contabilidade, 108 e no curso primário, 556. Estes números somados dão um total de 1.419 alunos. No Ginásio do Arraial, em 1957, a matrícula constava de um total de 316 alunos. Neste ano de 1961, de acordo com os dados fornecidos com a sua secretária, D. Maria Mirtes de Araújo Correa, foram matriculados: no curso Ginasial, 227 alunos, 19 no curso pedagógico; 123, no curso Primário; perfazendo um total de 373 alunos matriculados. Além de uma escola gratuita, nos vários cursos mantidos pelo Colégio Santa Sofia, conforme dados, gentilmente fornecidos pela sua Mestra Geral, Madre Maria Verônica, foram matriculados neste ano: Curso Científico, 7 alunos; no curso Ginasial, 224; no curso Pedagógico, 59; no curso Técnico, 83; no curso Primário 300 e na Escola Gratuita, 150; perfazendo um total de 893 alunos. Pelos dados da  Agência Municipal de Estatística, verifica-se a matrícula de 18 alunos no "Seminário Menor", e a de 42 no "Seminário Redentorista" perfazendo deste modo o número de 60 alunos matriculados nos dois estabelecimentos de ensino. Neste presente ano, o governo do Estado criou o "Ginásio Estadual, que foi instalado no dia 9 de Março, cujo diretor Dr. Manoel Lustosa dos Santos, informou terem sido matriculados 293 alunos. Pelo que acabamos de descrever sobre o ensino constata-se a existência neste ano de 1961, em todo o Município, com uma população de 105.000 habitantes a existência de 181 cadeiras escolares, mantidas pelo Governo Municipal, com matrícula de 7.089 alunos; 73 escolas mantidas pelo Governo Estadual com 2.381 alunos matriculados: 8 escolas particulares como uma matrícula de 920 alunos. Estes números de matriculados somados dão um total de 10.390, todos do curso Primário. Também existem 3 colégios, 2 ginásios e 2 seminários menores, com uma matrícula de 3.657 alunos, sendo 2.279 no  curso secundário e 1.378 no curso primário. Em conclusão se verifica a matrícula geral de 14.095 alunos, sendo 11. 816 no curso primário e 2.279 no curso secundário. Comparando-se o número total de 2.226 alunos existentes no ano de 1922, para uma população de 63.000 habitantes, inclusive o distrito de  Angelim, que hoje integra um Município, com o total de 14.095 alunos para uma população atual de 105.000, vê-se o grande progresso feito nos 39 anos já passados, no que se refere ao ensino público.

Atualmente está sendo movimentada uma campanha apoiada por todas as classes sociais no sentido de ser criada uma escola para o ensino do Curso Superior. Vamos, a seguir, transcrever os trabalhos históricos sobre os Colégios "15 de Novembro", "Diocesano" e "Santa Sofia", escritos, respectivamente por  D. Corália Vilela, Mons. Adelmar da Mota Valença e Madre Verônica, assim como sobre o "Ginásio do Arraial", também escrito pelo Monsenhor Adelmar da Mota Valença.

COLÉGIO 15 DE NOVEMBRO

"O Colégio 15 de Novembro, foi fundado no ano de 1900, pelo Rev. Martinho Oliveira, para ministrar instrução aos filhos dos crentes evangélicos e também de outros credos. Poucos anos depois falecia o Rev. Martinho Oliveira, porém com ele não morreu o seu sonho, pois outras mãos benfazejas levaram avante a sua obra. Foi substituído o Rev. Martinho Oliveira, pelo Rev. George E. Henderlite, com a celebração de sua esposa D. Marta e também pelo Rev. Jerônimo Gueiros. D. Cecília Rodrigues e o Sr. Soriano Furtado. Em 1910 o 15 de Novembro recebe o valioso auxílio do Rev. Dr. William M. Thompson e sua esposa D. Catarina Thompson. O Rev. Thompson serviu como diretor de 1910 a 1921. Foi diretor a partir de 1921 até fins de 1935, o Dr. Washington Taylor, foi ele o idealizador e realizador dinâmico do novo prédio para os cursos secundário, primário e casa do diretor. Os prédios foram inaugurados em novembro de 1929, dispondo de capacidade para receber grande número de alunos internos. O Rev. Taylor foi substituído pelo Rev. Dr. Walter Suetnam - 1936  a 1949. A inspeção pelo Governo Federal do seu curso secundário foi conseguida em 1934, sendo o seu  Inspetor Dr. Morse Sarmento Pereira de Lira. Em 1943 teve a sua inspeção permanente (Decreto nº 11.399 de 20 de janeiro de 1943). Autorização para funcionamento do Colégio em 24 de abril de 1945 (Decreto nº 18.453. Substituiu o Dr. Walter Suetman o Rev. Malcolm Leroy. Foram ainda seus diretores os Revs. Edwin Raynard Archat, Donald E. William e o Sr. Jones Hoge Smith. Atualmente é o seu diretor o esforçado Sr. Jule Spach e o seu inspetor o Rev. Mons. José de Anchieta Callou.

"Tem o Colégio laboratórios de Física e Química, Museu de História Natural, Biblioteca, etc... A fim de desenvolver o progresso cultural de seus alunos o Colégio mantém os grêmios "Sociedade Literária do Colégio 15 de Novembro" e o "Grêmio George Washington Taylor". O Colégio 15 de Novembro tem um grande estádio - um dos melhores do Nordeste - para jogos de basquete e Voleibol. Em prédio completamente separado funciona o confortável Internato Feminino. O Colégio 15 de Novembro mantém os seguintes cursos: curso Ginasial, curso Colegial, Clássico e Científico, curso de Admissão e curso primário. Internato para ambos os sexos. Garanhuns, 12 de Outubro de 1957. Corália Vilela - Secretária".

COLÉGIO DIOCESANO DE GARANHUNS

O Colégio Diocesano de Garanhuns foi fundado pelo Cônego Benigno Lira com o nome de Ginásio de Garanhuns aos 19 de março de 1915 aproveitando os alunos da antiga Escola Paroquial, fundada pelo Mons. Afonso Pequeno. Teve por diretores: 1º Mons. José Ferreira Antero, de 1915 a 1926, 2º Padre Manoel Diegues Neto, em 1927. 3º Mons. José de Anchieta Callou, de 1928 a 1936. 4º Padre Antonio Constantino Carneiro, em 1937. 5º Padre Adelmar da Mota Valença em 1938. Mantém o s seguintes cursos: Primário, Admissão, Ginásio, Comercial, Científico e Datilografia. Inauguração do prédio atual: 12 de Outubro de 1925. Inspeção Federal: 28 de Agosto de 1930. Inspeção permanente: 10 de Outubro de 1932 (O primeiro educandário do interior do Norte do Brasil a obter inspeção permanente). Inspeção Federal do Curso Comercial: 23 de Março de 1936. Funcionamento do Curso Comercial Noturno - Em 1939, funcionamento do Curso Ginasial - noturno: 1945. Inspeção Federal do Curso Científico: 30 de Dezembro de 1947. Alunos que concluíram o Curso Ginasial de 1931 a 1956: 983 alunos que se diplomaram pelo curso Comercial: 150. Matrícula em 1957: Curso Ginasial diurno: 344. Curso Ginasial Noturno, 237. Curso Científico Noturno, 86, Curso Comercial noturno, 80. Curso de Admissão diurno, 87. Curso de Admissão noturno, 132. Curso Primário Diurno 174. Curso de Datilografia, 39. Total 1,179. Padre Adelmar Valença.

GINÁSIO DO ARRAIAL

"O Ginásio do Arraial foi fundado pelo Padre Adelmar da Mota Valença aos 7 de Março de 1952. Foi inaugurado solenemente aos 7 de março de 1956.

"A direção está a cargo do Padre Adelmar da Mota Valença. Mantém curso ginasial e curso primário, para meninos e meninas, (em turnos separados). A matrícula atual (1957) é a seguinte: Curso Ginasial: Meninos, 19 - Meninas, 6. Curso Primário, Meninos 110 - Meninas, 131. Total 316 - Padre Adelmar da Mota Valença".

COLÉGIO SANTA SOFIA

"Fundação - 1912. 1ª Superiora Me. Elizabeth Dobelho, 1912-1924. 2ª Superiora Me. Maria Inês, 1924-1935. 3ª Superiora Me. Verônica Aguiar, 1935-1944, amazonense educada no Colégio de Sion, em Petrópolis. Foi Mestra Geral e depois Superiora. 4ª Superiora Me. Alexandrina Bentein 1844-1950. 5ª Superiora Me. Maria Pia. Pertence a tradicional família pernambucana pertencente ao  ciclo do açúcar. Atual Superiora do Ginásio Santa Cristina em Nazaré da Mata. Desde 1957, o Santa Sofia tem como Superiora a Revma. Madre Bernardete Loyo cuja árvore genealógica vai situá-la como descendente do Visconde de Loyo.  A matrícula em 1912 foi de 131 alunos (era misto) . Na época da fundação governava o Instituto das Religiosas da Instrução Cristã Congregação o que  pertence o Santa Sofia, a Revma. Me. Sophia, daí o nome dado ao novo Colégio. No Brasil, era representante, como Provincial, a Revma. Madre Loyola no século, Anno Sterart, de origem belga. Em 1961 a matrícula atingiu 893 alunos incluindo a escola gratuita mantida pelo Colégio. Curso Científico, Técnico em Contabilidade, Pedagógico, Ginasial, Primário e Jardim da Infância. Atividades: 7 Grêmios literários em pleno funcionamento, todos subordinados a Comaia  Juvenil, entidade com personalidade jurídica e que exerce função coordenada de todas as atividades ligadas às alunas: Ação Social, Ajuda Mutua, Esportes, Cultura e Música, etc. Madre Maria Verônica (Mestra Geral)". (Fonte:  Alfredo Leite Cavalcanti | História de Garanhuns | Volume II | Garanhuns, Fevereiro de 1973 | Acervo: Memorial Ulisses Viana de Barros Neto).

Nenhum comentário:

Postar um comentário

História de Garanhuns

Turma de Concluintes do Curso de Contabilidade do Colégio Diocesano de Garanhuns de 1969. Foto -  1ª fila da direita para a esquerda:  João ...