domingo, 13 de março de 2022

Laxante estranho

Por Rocir Santiago

Causos do Augustinho - Herculano Sabino, era um cidadão que  se destacava na região de Inhumas, torrão pátrio de Augustinho, "Terra Gruta", sítio, quase fazenda, onde morava o dito cidadão. Destacava-se, não apenas pelas suas posses financeira mas, também, pelo fato de ser um  grande comilão de tudo que fosse comestível pela boca.

Certa feita, foi convidado para um  "adjunto" (mutirão), numa fazenda próxima à sua.

De enxada nova, 3 1/2 libras, chegou ao local, onde já estavam algumas pessoas com o  mesmo objetivo. Mas, como ele, nesses casos, fosse o que fosse o serviço, o interesse maior era  a hora do rancho - Morrinha como só, tudo que não gastasse era sempre bom lucro. E, beber e comer de graça, era com ele mesmo, até cachaça de cabeça que era de endoidar qualquer um. O proprietário das terras, era Capitão Zacarias, homem abastado e que tinha mandado cozinhar um saco de feijão preto, com muita charque, mão-de-vaca, pé de porco e demais ingredientes. Meio-dia, tocou uma sineta na Casa Grande; era  a tão esperada hora da comilança. Gente espalhada por tudo que era canto - nas mesas, no  chão, nos corrimãos das varandas, etc...

Todo mundo comendo e, Herculano, caladinho, mandando vez no seu prato que mais  parecia uma bacia de lavar o rosto. Comeu umas três vezes, rodando pela casa, cumprimentando Seu Zacarias, tomando umas lapadas de cachaça de cabeça e, numa dessas, com toda sua gulodice, engoliu, a pulso, uma cabeça de osso, envolto em  carne, pensando ser apenas carne - cabeça de osso de patinho. O bicho chega desceu a garganta rasgando a goela!

Três bananas prata, foi a ajuda para o osso descer. Fim do trabalho, dia seguinte e a natural necessidade fisiológica. E cadê sair coisa alguma - com a cabeça do osso na frente, não passava nem o que fosse líquido! Foi pro meio da capoeira, arreganhou as pernas, ficou de cócoras, de cabeça pra baixo e, nada. Gemia, suava, gritava, o osso atravessava, e NADA!

Foi que sua mulher, sem ver mas, pressentindo sua  agonia, sugeriu uma pitada de torrado de fumo de Arapiraca. Já de olhos esbugalhados, vermelho e faltando fôlego, aceitou a sugestão. Daí uns minutos, atracado num pé de Cambotã, Herculano soltou um espirro, junto com uma bufa que se ouviu com uns dez quilômetros de distância, junto com um grito também: Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! E a esposa dele, que agonizava tanto o quanto, respondeu: para sempre seja Deus louvado! O que foi que aconteceu Herculano? E ele: é que eu, finalmente de desocupei, mulé!

*Jornalista, cronista, radialista e poeta | Garanhuns, 21 de fevereiro de 2003 | Jornal O Monitor.

*Augusto Teixeira Filho (foto), popularmente conhecido como "Augustinho", tinha um bar e restaurante na rua Ari Barroso, lado esquerdo do antigo Fórum de Garanhuns. Augustinho faleceu em julho de 2012, deixando sua poesia, os seus causos e o abraço amigo.

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