quarta-feira, 23 de março de 2022

Lobisomem?

Por Rocir Santiago*

Causos do Augustinho - Pedro Geraldo, era um trabalhador da Fazenda Santa Rita, de propriedade de Seu Dezinho, conta Augustinho.

Pedro, era carreiro, fazia trabalhos no  engenho da fazenda e ainda cuidava da secagem de café. Achando pouco a  carga de  trabalho do pobre coitado e, na certa, para economizar dinheiro com contratações de  outros trabalhadores, sobrecarregava-o.

Pedro, quase que não tinha tempo nem para a mulher! E, Seu Dezinho, ainda achando pouco, determinou que, à noite, ele teria que trabalhar  de vigia no plantio de café, pois havia um lobisomem destruindo a plantação.

E Pedro, foi cumprir a determinação do patrão, armado com um rifle calibre 44, papo amarelo, sob ordem de atirar para matar o bicho, caso, depois de três perguntas repetitivas: Quem vem lá? Caso não obtivesse resposta, chumbo grosso no bicho!

Assim, estava o estafado Pedro Geraldo, de prontidão, na calada da noite, amoitado no  cafezal.

Lá pelas tantas da noite, um barulho no plantio, de um bicho que estava a devorar os pés de café e seus frutos.

Pedro, cumpriu à risca, o que lhe determinara o patrão. Ao perceber o barulho, gritou: - Quem vem lá?

E repetiu a mesma pergunta, três vezes, como determinava a cartilha.

Sem receber repostas, baixou e subiu a  alavanca do rifle, bala na agulha e, TEBEI!

Foi um tiro só e bem certeiro. E enquanto o  bicho estrebuchava no chão, Pedro, correu até a casa grande da fazenda para avisar ao patrão que tinha eliminado a fera, o tal lobisomem.

Juntos, foram até o local do feito, Seu Dezinho, meio desconfiado, visto que sabia que não se tratava de lobisomem algum isso não existia! Mas, foi até lá pra ver ao que era.

Pedro, assustado, não quis nem chegar perto!

Seu Dezinho é que foi até o local de lá: - Pedro, tu matasse a minha porca mais  parideira da fazenda, filho de Deus!

E Pedro: - Num é pussive, patrão, noise nos cunhicemo de intimidade, se fosse ela, a  coitada tinha respondido as minha pergunta de  "quem vem lá!"

*Jornalista, radialista e poeta / Garanhuns, maio de 2003 / Jornal O Monitor.

*Augusto Teixeira Filho (foto), popularmente conhecido como "Augustinho", tinha um bar e restaurante na rua Ari Barroso, lado esquerdo do antigo Fórum de Garanhuns. Augustinho faleceu em julho de 2012, deixando sua poesia, os seus causos e o abraço amigo.

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