quinta-feira, 3 de março de 2022

Os professores da turma de 1932 do Colégio Diocesano de Garanuns

Alfredo Vieira*

Quando chegamos ao Ginásio, em junho de 1927, fomos para a 4ª série, onde encontramos entre outros, os colegas Joaquim Moreira de Mello, Giovani Gomes de Lima, Osias Ribeiro dos Anjos, que concluíram conosco o Curso Ginasial, em dezembro de 1932.

Os nossos mestres antes do curso intensivo aos exames de admissão realizados em 1928, foram o prof. José Lima Oliveira, o prof. Antonio Tenório de Almeida e o padre Manuel Diegues Neto. Dos  quatro citados, somente o prof. Antonio Tenório de Almeida e o padre Diegues Neto, continuaram conosco. O prof. Mota, viera do Recife e o  prof. José Lima de Oliveira, sobrinho do renomado mestre de Medicina Legal, da Faculdade de Medicina da Bahia, professor Estácio de Lima, voltava também no ano de 1928 para Salvador, após o término do seu contrato. Mais tarde, já advogado, encontrei na paróquia da Casa Amarela, o padre Oliveira, irmão do nosso ex-professor José Lima, que nos informou ter o seu irmão estudado Medicina e clinicava na sua terra natal, em Salvador, Bahia.

Após os exames de admissão, os nossos professores, começaram com o Curso Secundário, já em regime oficial.

A direção do Ginásio entregue ao Mons. José de Anchieta Callou (foto), que lhe dava tempo integral, fez a escolha para o nosso Colégio, do que  havia de melhor na cidade afim de que nos fosse assegurado bons ensinamentos. O prof. Antonio Tenório de Almeida, continuava nos ensinando Português, e algumas vezes Aritmética, nas faltas e impedimentos do professor Hibernon Wanderley.

Muito jovem ainda, graças ao professor Antonio Tenório de Almeida, tomei conhecimento com os clássicos portugueses. Ele costumava me emprestar de sua biblioteca particular, obras de Camilo Castelo Branco, de Guerra Junqueiro (líamos às escondidas em face de sua falada excomunhão, pela publicação de "A Velhice do Padre Eterno" e os versos "A Morte de D. João"). Outros clássicos vieram ao nosso conhecimento por intermédio de mestre Tenório; Hibernon Wanderley foi o nosso querido mestre de inglês e matemática, em todas as suas modalidades; Costa Porto, ensinava português, antes de aparecer o prof. Manuel Clementino de Araújo, pai do nosso colega Carlos José de Barros Araújo e diretor  proprietário do Colégio Martins Júnior, situado na rua 15 de Novembro. O  prof. Manuel Clementino de Araújo, nos ensinou português, do 2º ao  4º ano, através das Gramáticas Expositivas de Eduardo Carlos Pereira (elementar, superior e histórica), e das interpretações e análises das "Antologia Brasileira", "Antologia Nacional" e "Autores Contemporâneos". O prof. Manuel Clementino, nos dava a impressão de saber decorada toda a "Antologia Brasileira", seu livro preferido para as análises sintáticas e interpretação dos seus textos. Eu era um dos alunos permanentemente arguidos em suas aulas e cheguei mesmo a pensar em marcação do  velho mestre, inclusive amigo e colega do meu pai. Hoje, agradeço, os meus conhecimentos de português, aos professores Costa Porto e Manoel Clementino de Araújo. Padre Agobar Valença, ajudava ao Mons. Callou, na parte administrativa e nos dava aulas de francês. Sua passagem pelo Ginásio, foi meteórica. Faleceu no ano de 1930, vitimado por uma apendicectomia aguda; Edmundo Jordão Vasconcelos, promotor público e depois Juiz de Direito de Garanhuns, nos ensinava História Universal. Deu nova dimensão ao ensino da matéria. Quase todas as semanas, havia aulas em que os alunos, em pontos sorteados, faziam explanação sobre a matéria da semana anterior. Estabeleceu com o seu modo inteligente de ensinar, um perfeito e proveitoso diálogo entre o professor e os seus alunos; Eurico Pontes de Lira, alagoano, médico analista, se radicara em Garanhuns e nos ensinava Química; e padre Francisco Lopes, paraibano amante dos pássaros, especialmente os "curiós". O seu quarto, onde possuía uma boa biblioteca, sobre História do Brasil, vivia cheio de gaiolas de todos os tipos e tamanhos. Era o nosso mestre de História do Brasil; Lessa de Azevedo, alagoano, médico operador da equipe do "Instituto Médico Cirúrgico", nos ensinava História Natural; Tavares Correia, médico sergipano, fundador do "Instituto Médico Cirúrgico", nos ensinava Física; Manoel Agripino do Rego Barros, Advogado no foro de Garanhuns, era  o nosso professor de corografia do Brasil; Cônego José de Sá Leitão, durante uma grande temporada, foi o nosso professor de geografia; padre Magno Godoy, nos deu aulas de português e literatura; Tarcísio Cordeiro Falcão, ainda seminarista, nos deu aulas também de português, padre Diegues Neto, nos ensinou francês e finalmente, o Mons. José de Anchieta Callou, diretor do Ginásio, era o professor permanente de latim e filosofia e tinha ao seu cargo, ser o substituto eventual dos professores que faltavam ao nosso curso. O latim, que aprendi no Ginásio de Garanhuns, me credenciou mais tarde, ao fazer vestibular para a Faculdade de Direito, traduzindo sem auxílio de dicionário, trechos das "Institutas", de Justiniano e recebendo elogios do professor Alfredo Freire, quando mestre de latim, no curso intensivo pré-vestibular que frequentamos na Faculdade.

Estes, os mestres que nos acompanharam de 1927 a 1932, quando terminamos o nosso Curso Ginasial, constituindo de fato e de direito, a sua 1ª Turma de Concluintes. Os ensinamentos ali recebidas foram sementes que produziram boa colheita.

*Advogado, escritor e jornalista | Garanhuns do Meu Tempo | 1981.

Créditos da foto: Orlando de Almeida Calado / Jornalista e historiador.

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