sexta-feira, 18 de março de 2022

Um encontro com Deus

Luzinette Laporte*

Em minhas mãos um  documentário do  "Terceiro Encuentro Monástico Latino Americano" em Buenos Aires. A releitura da  Regra de São Bento.

Tudo  foi dito/estudado/debatido. O assunto mais palpitante: o martírio constante/permanente/incruento: obediência e humildade. Virtudes que somam a  "kenosis" (humilhação) de Cristo. Ele que "Se fez obediente até à morte, e morte de cruz". Ele que congrega todos e os convida a seguir-lhe o exemplo: "eu não vim para fazer a minha vontade mas a d'Aquele que me me enviou".

Creio, sei que Deus me propõe às mãos material para uma renovação de vida. Toda uma  imensa/infinita relação de valores eternos, neste/Ano Novo de fogo e sangue, que me questiona e exige.

Lendo as palestras e  o que foi colhido nos  painéis, sentimos que o monacato é sempre atual e vivo como todo valor evangélico.

(A apresentação dos  resultados de alguns painéis foi feita pelo monge brasileiro  pertencente ao Mosteiro de Olinda e a serviço de  Garanhuns, Dr. Gerardo Wanderley, tão amigo da nossa cidade. Tão querido por todos. Simples. Humilde. Como deve ser o monge).

Cada palavra tem um peso de amor, isto é, tem um peso divino.

Alegra-nos saber que  em um mundo onde predominam o erotismo/a violência/a poluição, pessoas de profundo valor humano, extensa cultura, reúnem-se para "reler" a Regra de São Bento. (Obra cujo valor pedagógico cristão só sabe apreciar aqueles que sabem sopesar com alma  de criança e inteligência maturada o valor de uma  renúncia).

Não é qualquer um  que pode ler a Regra de São Bento e senti-la como "palavra de vida" (São Paulo). Porque, como diz Chiara Lubich, cada santo não é senão uma palavra do Evangelho encarnada.

Toda aquela sabedoria, toda aquela pedagogia tão atual neste século XX - apesar de  escrita no século VI - não pode ter sido senão produto de um ser  humano cristianizado/evangelizado, segundo aqueles doze graus de  perfeição de que fala o  próprio São Bento de  Núrsia.

Leio (ferem-me profundamente) palavras como estas: "propriamente falando, o fim da vida monástica não  é a transformação do  homem e sim a procura de Deus. Mas a adoração é irmã da transfiguração e a "passio divinitais"  daquele que  procura a Deus, caminha junto com sua deificação (theiosis)" (D. Mauro Mathei). Ou ainda de D. Ambrose Southey - Abade Geral da  Ordem Cisterciense da  Estrita Observância -: 

"Temos que compreender a viver a tradição monástica de oração, se é que vamos ajudar à humanidade de hoje e de amanhã a buscar verdadeiramente centros de profunda oração contemplativa, abertos a todo o sofrimento e a toda a agonia do  mundo em que vivemos". (Grifos meus).

Sinto-me feliz em ver que isto sucede no coração da humanidade, do mundo de hoje: pessoas (de valor espiritual e intelectual acima do comum) que se reúnem e rezam, meditam, contemplam, estudam para salvaguardar a busca incessante de Deus. Para salvaguardarem Deus. (Deus quer "necessitar dos homens"). Para salvaguardarem o silêncio interior. A paz interior. E, do fundo do meu ser sobe, em ação de graças, uma palavra que  marca minha juventude: "os santos arrancam seu Deus à morte"...

*Professora e escritora | Garanhuns, 30 de Novembro de 1978.

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