terça-feira, 12 de abril de 2022

A Capela de Lajedo

Antônio Vilaça (foto)

Crônica lida ao microfone da Rádio Difusora de Limoeiro, em 4 de abril de 1979.

"Leio no O MONITOR, hebdomadário que se edita em Garanhuns, que chuvas fortes causaram danos a  Lajedo, inclusive derrubando uma parede da capela do Socorro com quase cinquenta anos de vida. Esta capela foi construída, em grande parte, pelos esforços de Guilherme Paulo, o meu pai, que, por isto  mesmo, a manteve enquanto viveu. Depois dele falecido, ainda ficou por conta da família Vilaça a sua  manutenção. Entretanto, o vigário de Lajedo, o Padre Gerbrando, um holandês ali radicado, entendeu que  a capelinha deveria pertencer à Paróquia e não a uma família. Resultamos por não transferir a posse de um bem que, sem ser nosso, tinha o  sangue e a alma de meus pais. Mas, entendemos que  não adiantava remar contra a maré. Decidimos, em  conciliábulo familiar, ceder à pressão e entregar a igreja  aos cuidados da Paróquia de Lajedo. Fomos  a Garanhuns e nos entendemos com o bispo, Dr. Tiago Postma, na presença do  Mons. Tarcísio, nosso velho amigo e companheiro de seminário. Passada ao domínio da Paróquia, não teve a igreja a  menor conservação? e uma  linha mestra ameaçou ruir o que, se acontecesse, determinaria o desabamento do teto. Uma medida preliminar foi a retirada da  imagem de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, a titular da capela, para uma casa residencial, por sinal a casa em que viveram muitos anos e onde faleceram meus pais Guilherme Paulo e Cecília Vilaça. Trata-se de um bem da Diocese, ou da Paróquia, ambas com  obrigação de restaurar o  templo para o que contarão com toda ajuda dos  católicos que, por certo, viram contristados o abandono e a ruína a que se  entregou uma capela feita pelo povo, graças a uma  promessa de dois comerciantes de Lajedo, Antônio Pacheco de Medeiros e  Manuel Ferreira da Silva (Manecão), os quais, no ano de 1928, viajavam num  caminhão com destino ao Recife. Numa ladeira, faltou força ao veículo que, sem freio, desceu em marcha ré, ameaçando matar todos os passageiros. No  auge do desespero, Antonio Pacheco fez uma promessa se ele e seu companheiro se salvasse, construiriam um nicho em agradecimento a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Eis a história da capela que acabou de ruir em grande parte: o teto e uma parede lateral. Faço um apelo ao  Padre Gerbrando, ao bispo D. Tiago Postma e ao  Prefeito de Lajedo, Lídio Cosme, para que não deixem desaparecer uma tradição lajedense. Mais que  isto: o símbolo da fé de um povo eminentemente cristão. Nesta capela, está minha alma, pois ali estão enterrados os restos mortais de meus pais.  (Crônica transcrita do jornal O Monitor).

Antônio de Sousa Vilaça veio ao mundo na propriedade Kágado, do município de Lajedo-PE, em 3 de outubro de 1914.

Foi aluno do Seminário de Garanhuns, transferindo-se muito cedo para a cidade de Nazaré da Mata, onde conclui os estudos, casa-se com a Srta. Evalda Rodrigues e nasce-lhes o único filho: Marcos Vinícios Rodrigues Vilaça, mais tarde ministro do TCU e presidente da Academia Brasileira de Letras.

Este ilustre lajedense veio a falecer em 27 de junho de 2003, quase aos 89 anos de idade, praticamente sem visão, deixando-nos, entretanto, inestimável legado intelectual, que muito nos dignifica: a Laje­do, seu lugar de origem; Limoeiro, sua terra de adoção, enriquecendo consequente e substancialmente o patrimônio cultural de Pernambuco. Fonte: http://limoeiro33.blogspot.com/2012/07/professor-antonio-vilaca.html

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