segunda-feira, 18 de abril de 2022

História de Garanhuns

JOSÉ MARIA DE SOUZA -  Na escola do professor - Manoel Joaquim Câmara - ocupávamos o mesmo espaço. Éramos alunos da mesma classe. O nosso comportamento era ditado pela timidez. Certo, era que todos os nossos colegas eram tímidos. Cada um procurava se comportar bem, no sentido de agradar o professor. O velho Câmara, como era conhecido, imprimia respeito formal pela sua austeridade.

As aulas ministradas pelo professor Câmara eram virtualmente práticas. Aprendeu a somar não só as parcelas de  contas da tabuada, mas, muitas coisas no sentido humano, inclusive as suas constantes preocupações. Isso acontecia sem possibilitar conflitos no seu universo interior. Nesse contexto moral sua conduta se pronunciou com muita intensidade.

Sua mocidade se consagrou na obediência aos princípios de Igreja Católica. Como sacristão ajudou muitas missas. Comungava com muito respeito. Sua mãe nos ensinava catecismo. A religião era objeto de crença e não da razão, contudo jamais se comportou como um fanático. Para ele quem aprende na escola da natureza sabe tudo. Adotar outro sistema, seria insensatez. Assim o dogma é olhar a vida em sua totalidade, quem em si mesma é uma religião, ou seja a Religião.

Começou a sua vida pública como caixeiro atendendo na mercearia e arrumando prateleira (hoje balconista). Nessa função mergulhou muito da sua atividade. Amigo dos fregueses. Foi um bom auxiliar no comércio. Em linguagem comercial "bondade" quer dizer, bons negócios. A sua capacidade de trabalho era muito apreciada. 

Passou a vida esperando aquela que seria a alegria de seus sonhos. Casou-se com Dona Letícia Jatobá, ornamento da nossa sociedade. Professora de destaque no currículo do magistério. Declamadora notável, aluna preferencial do velho mestre e  poeta Arthur Maia. O poeta de Maio, preparou a jovem poetisa para o concurso de declamação promovido pelo Colégio 15 de Novembro, onde conquistou o primeiro lugar. Zé Maria foi um esposo exemplar e foi muito feliz no casamento. Dessa união conjugal nasceram filhos que  estudaram nos melhores educandários de  Garanhuns.

Depois ele passou a ser funcionário público do Estado. Onde conquistou o respeito de seus colegas. Com o decorrer do tempo foi aposentado, já de cabelos brancos pela neve dos anos. Sempre respeitado em todos os ciclos de suas atividades. Por consequências óbvias passou a residir em Maceió. Deixando muitos amigos e colegas aqui na cidade do Magano.

JOSÉ MARIA DE SOUZA, auxiliar no comércio, funcionário público, nosso amigo e colega  de escola, viveu aqui na terra das flores, e das Sete Colinas, participou de movimentos sociais. Na redemocratização do País apoiou a candidatura, a prefeito, de seu compadre e amigo Dr. Luiz da Silva Guerra, cuja vitória foi o maior movimento de opinião política do nosso tempo. Assim foi alguns aspectos da vida do nosso querido amigo.

Faleceu em 18 de julho de 1986, em Maceió, onde seu corpo foi sepultado.

Dr. José Francisco de Souza | Advogado, jornalista, cronista e historiador | Garanhuns, 02 de Agosto de 1986.

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