terça-feira, 5 de abril de 2022

História de Garanhuns

Foto: Octávio Alves da Silva Rêgo (Bimbe Tororó), no centro. A esquerda - Dário Rêgo (filho e os bisnetos - Maria da Penha, João Jerônimo; à  direita - Zózima S. Rêgo (nora) e os bisnetos: Cecília, Estela. Na 1ª fila - Alba Luci - Dário das Neves, Mário Fernando, Álvaro Eduardo, Aloísio Fernando,  Antônio Octávio (Ano 1950).

Alberto da Silva Rêgo

Casa Vidal - Anexa a Firma P. de Oliveira, pertencia aos Irmãos Vidal. Em 1930, inaugurava, na frente, um bomba de  USGA - base de álcool destinada aos veículos motorizados, produzida pela Usina Catende, a fim de substituir a gasolina.

Meu Avô gostava de frequentar a Casa Vidal, para um  bate-papo. Certa ocasião, no meio da conversa, diz o Vidal: A  sua terra, coronel Bimbe, tem muita gente velhaca.

- Sr. Vidal (resposta quase que imediata), aceita uma proposta minha? Eu pagarei cada tostão à base de um conto de réis, caso o devedor seja um filho desta terra.

- Coronel, medite em suas palavras.

- A minha palavra é uma só. Vejamos a sua relação. E fique certo de que guardarei as devidas reservas, sobre os  seus fregueses, maus pagadores.

O Vidal não se deu por muito rogado (certamente estava querendo desabafar), pedindo somente reserva, na esperança de que algum resolvesse pagar o débito devido. E começou a ler o rol com os nomes dos devedores.

A lista até que não era grande, diz o meu avô, comentando o caso depois.

- Fulano de tal, dizia o Vidal e repetia o nome pausadamente.

Falava o velho Bimbe: Fulano chegou aqui puxando uma  "cachorrinha" esquelética e, hoje, se dá ares de rico. E a cada nome, se conhecia a pessoa, tinha sempre uma informação a  prestar, inclusive não procurando desmerecer alguns que sabia andavam em dificuldades financeiras.

Terminando a leitura da lista dos "velhacos", ficou plenamente esclarecido que ali não havia o nome de nenhum filho da terra garanhuense.

No final, diz o coronel Bimbe Tororó: Senhor Vidal, quer saber o nome dos filhos da cidade serrana? Vou enunciar os que são comerciantes e agricultores que conheço. Não são ricos, mas são homens de bem. E mencionou os de quem se  lembrava no momento.

Era assim o Otávio Rêgo quando alguém queria "pisar" em seus "calos". (Fonte: Os Aldeões de Garanhuns | Ano 1987).

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