terça-feira, 12 de abril de 2022

História de Garanhuns


Plantões nas Farmácias Antigamente - As principais farmácias de Garanhuns, ficavam todas na Rua Santo Antônio, que depois se chamou Avenida Santo Antônio. Eram elas: a Farmácia dos Pobres, de propriedade do farmacêutico diplomado Godofredo do Rego Barros, que mais tarde veio a se formar em Medicina, na Faculdade do Recife. Ficava em prédio próprio, na esquina da Rua do  Cajueiro. Era uma  farmácia movimentada e tinha anexa a parte comercial, um pequeno consultório médico que também servia de ambulatório. Funcionava até tarde, pois no meu tempo, não estava ainda em vigor a  chamada "lei das 8 horas", lei 62, oriunda da Revolução de 1930 e inspirada pelo Ministro Lindolfo Collor, gaúcho, 1º Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio da "Era Vargas". Havia ali plantão permanente do médico Luiz Guerra, do fazendeiro Américo Carneiro (que também fazia "curandeirismo" e segundo me afirmou o prof. Antônio Simão dos santos Figueira, tinha "vocação" clínica),  José Leal e outros próceres políticos e pessoas gradas, independente do farmacêutico Godofredo Barros que chefiava os plantões. Dizia-se, que todas as fofocas políticas e de outras ordens... tinham sempre início nos plantões da Farmácia dos Pobres. A Farmácia Santo Antônio, era de propriedade do farmacêutico, que depois também se formou em Medicina, Jocelyno Caldas. Era situada no lado direito da parte comercial da rua, nas proximidades do estabelecimento comercial de Severiano de Moraes, o seu plantão reunia também, figuras do comércio de Garanhuns e era um pouco menor que as outras. A Farmácia Modelo (foto) ficava junto ao Cinema Grossi, que depois se tornou Cinema Glória. Tinha nos seus balcões, vidros bojudos coloridos. Parecia ser decoração obrigatória das farmácias, pois, já no Recife, a partir de  1934, encontrei algumas com os mesmos vidros bojudos coloridos, cheios de água. O seu proprietário era o farmacêutico Florismundo Lima e era  auxiliado diretamente pelo seu filho José Lima, mais tarde, renomado médico de crianças no Recife. O velho Florismundo Lima, morava na  Rua  do Recife, e tinha outros filhos, entre eles, Jaime Lima, formado em direito e poeta modernista; Raquel Lima, também poetisa, chegou a  publicar alguns dos seus versos nos jornais de Garanhuns. Os plantões da Farmácia Modelo, eram sempre dirigidos pelo Dr. Osório Souto, cirurgião dentista, político ligado naquele tempo ao grupo do seu  parente e amigo Souto Filho. Mas tarde, tornou-se um dos mais destacados políticos da "esquerda" em Garanhuns.

Em 1927, se instalava em Garanhuns, a Farmácia Osvaldo Cruz, de propriedade do Sr. Péricles Santos. Não era diplomado, porém trazia experiência no comércio de drogas e no preparo de receituário, aprendidos nas Farmácias do Recife. Habilidoso e inteligente, conquistou rapidamente a confiança dos garanhuenses, chegando a ser um dos próceres mais em evidência dos "Integralistas" e figura destacada nas sociedades esportivas e sociais de Garanhuns. O seu primeiro contato com a nossa família deu-se em agosto de 1927, quando do súbito falecimento do meu  tio José Soares de Assunção ocorrido em nossa casa, na Rua Santo Antonio, Péricles Santos, ao tomar conhecimento de que meu pai se achava doente, ficou em nossa casa, durante grande parte de velório, devidamente preparado para atender qualquer "acidente", que porventura ocorresse, quando da saída do enterro. Os plantões da "Osvaldo Cruz", se tornaram famosos. Quase sempre ali se encontravam, entre outros, o livreiro Manoel Gouveia, o contador Ademar Travassos, o advogado João Domingos da Fonseca, o comerciante Manoel Paulo, além dos próceres do Núcleo Integralista de Garanhuns.

Ainda na Rua Santo Antonio, esquina com a Avenida 13 de Maio, foi instalada a Farmácia central, de propriedade do Sr. Carlos Guerra, que mais tarde veio a vendê-la ao Sr. Dorval Santos, irmão de Péricles Santos. Também tinha o seu plantão, figurado entre os presentes, o comerciante Carneirinho, importador e exportador de cereais, Milton Rezende, o médico Eurico Lyra, entre outros.

Os "plantões" nas farmácias, repito, eram famosos e tiveram sua  época bem marcante na vida de Garanhuns. Os proprietários das farmácias, diplomados ou não diplomados, mantinham-se coesos e diligentes na defesa de seus interesses comuns, não havendo distinção entre maiores ou menores.

O Sr. Péricles, inaugurou em Garanhuns, o atendimento noturno, após o fechamento das farmácias, Residindo no primeiro andar, havia uma campainha elétrica para os chamados de emergência. Era uma das novidades que se implantava no comércio farmacêutico, quando não fora ainda determinado em lei, que uma farmácia sempre permaneceria aberta até à meia noite, para atendimento ao público.

Integrei, mais tarde a família do Sr. Péricles Santos, quando este já comerciava no Recife, casando-me com uma de suas filhas, Maria Carmelita, chamada carinhosamente de Laly, apelido que lhe foi dado pela sua  irmã Carlinda.

Quero destacar ainda, a figura do fazendeiro Américo carneiro, doublé de "curandeiro". Vocação de médico, como me afirmava o prof. Antonio Figueira, residindo no fim da rua do Cajueiro, a sua casa era bastante frequentada pelos que vinham ali se receitar. (Fonte: Garanhuns do Meu Tempo | Alfredo Vieira | Ano 1981).

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