sábado, 23 de abril de 2022

História de Garanhuns


Colégio 15 de Novembro, Diocesano, Santa Sofia e Martins Júnior - Nos escritos sobre Garanhuns, encontro notas informando que o  Colégio 15 nasceu de uma pequena "Escola Paroquial Evangélica", sob a orientação do Revmo. Martinho de Oliveira.

Acompanhamos todo o progresso do "15", notadamente quando sua direção estava nas mãos dos Revmos. Dr. William M. Thompson e George W. Taylor, e quando funcionava à rua Dantas Barreto, 8 e 12. Era um estabelecimento misto, moças e rapazes, todos inclinados para o movimento evangélico presbiteriano. De inúmeros de seus alunos internos e  externos, fizemos muito boa camaradagem com Torquato Santos, português de nascimento, porém, brasileiro e garanhuense de ação e coração; Uzzae Canuto, orador fluente e futuro professor de humanidades, os filhos e filhas de Soriano Furtado, cuja residência ficava ao lado dos cafezais do Diocesano e tinha como atração um "court" de tênis.

Mais tarde, o "15" mudou-se para o Arraial, defronte à praça que  hoje se chama Souto Filho e onde era edificada a moderna sede do Esporte Clube de Garanhuns.

Costumávamos ver todos os domingos, passarem pela Rua do Recife, em frente a nossa casa, com destino à Igreja da Rua Santo Antonio, os pastores Thompson e Taylor, levando os seus alunos para o culto do  domingo. Era um espetáculo que sempre chamava a nossa atenção. Os  alunos e alunas, formados de dois a dois, com os seus mestres na retaguarda, fechando o pequeno grupo, todos levando as suas Bíblias para o louvor domingueiro, do seu Deus, diferentes naquele tempo do nosso, mas hoje, iguais na crença e no amor de todos os tempos.

O Diocesano nasceu também de uma "Escola paroquial", dirigida por Mons. Afonso Pequeno. 

O Santa Sofia, que foi chamado de Academia Santa Sofia, foi fundado em 1912. Encontro notas de sua fundação, no trabalho realizado pelo professor Arthur Maia, sob o título "Instrução em Garanhuns" e publicado no  Álbum do ano de 1923.

Estamos ligados ao Colégio Santa Sofia, por motivos de ordem sentimental. Comecei a frequentá-la, desde o tempo em que meu pai, foi  Delegado de Ensino. Acompanhava-o nas suas visitas quando ainda era  Superiora, Madre Maria Inês. Fundado pela Congregação das Damas da Instrução Cristã, a sua casa matriz era e ainda é, na Bélgica. O Colégio destinava-se exclusivamente, a alunos do sexo feminino, sendo bastante rígidos (no meu tempo), o seu regulamento e atividades. Rapazes solteiros, não visitavam o Colégio, a não ser acompanhados de seus genitores. Mesmo assim, ficavam no "Parlatório" sala inicial das visitas. Alunas externas, não se confraternizavam com as internas. Nas festas de fim de ano, a fiscalização por parte das freiras, sob o comando de Madre Verônica de Aguiar, sua mestra geral e depois superiora, para impedir os "penetras", rapazes não convidados ou não pertencentes às famílias das formandas, chegava às raias do absurdo. Apesar disso tudo, o "sereno" continuava grande, naquelas noites. Durante o dia, os rapazes da época, Adalberto Branco, Rui Maciel, Carlos Araújo e quase todos os integrantes do Diocesano e 15, costumavam fazer "ponto", nas calçadas do Hotel Familiar, e também na Igreja Catedral (quando não importunados pelo Padre Manoel Barreto e Mons. Anchieta Callou), esperando a "saída das meninas do Santa Sofia".

Nos últimos domingos de cada mês, as internas de bom comportamento (boletim azul), saiam para as casas de colegas ou de famílias autorizadas. Nestes domingos, as "matinês" da AGA, tinham um sabor todo especial, quando não arranjávamos festinhas particulares ao som de um bom piano.

Quebrei o "tabu", de os solteiros não visitarem o Santa Sofia. Em março de 1936, fui nomeado para o cargo de fiscal de Governo, junto ao Santa Sofia. Nomeação conseguida pelo saudoso amigo Desembargador Rodolfo Aureliano, junto ao Governador Carlos de Lima Cavalcanti.

Madre Verônica de Aguiar, já a esse tempo diretora do Santa Sofia, ficou bastante surpresa ao lhe apresentar o título de nomeação para o exercício do cargo. Visitava regularmente o Colégio, todos os meses, ouvindo as suas aulas e tomando conhecimento de todas as suas atividades. Não foi sem muito orgulho, que presidi naquele ano de 1936, as festas de  formatura das professoras do seu Curso Normal, na condição de fiscal do  Governo. Também se formavam, a minha irmã Noemia Vieira (falecida em 1939) e a minha futura cunhada Carlinda van der Linden Santos, hoje, Sra. Isnard Coutinho Fernandes.

O Colégio Santa Sofia, mudou-se de nome para atender às exigências ministeriais. Foi Ginásio e hoje, é Academia Santa Sofia. Mudou também de hábitos. O seu regime tornou-se flexível e ameno. Continua no entanto, como sempre, fazendo um bom ensino, preparando mães e mestras para todo este Brasil.

O "Martins Júnior", foi o colégio fundado e dirigido pelo professor Manoel Clementino de Araújo, também professor de Português do nosso Diocesano. Ficava situado na Rua 15 de Novembro, logo após a praça Dom Moura, no caminho para o Arraial.

O Colégio Martins Júnior, era dirigido pelo professor Clementino de  Araújo, auxiliado por sua esposa, a professora Maria Emília (também professora do Grupo Escolar Severino Pinheiro), e sua irmã Josefina Augusta de Araújo, que depois de poucos anos viajou para o Amazonas. Mais tarde, o seu filho Carlos José de Barros Araújo, estudante no Recife, vinha para Garanhuns, integrava o nosso Curso Ginasial no Diocesano e também ensinava na Escola do seu pai. O Martins Júnior, funcionava em regime de externato. O seu Curso Primário, era fiscalizado e preparava também alunos para os cursos de admissão ao Santa Sofia, 15 de Novembro e Diocesano. À noite, funcionavam cursos especiais, para alunos que quisessem se aprimorar nos estudos. Havia um grêmio estudantil e um jornalzinho mensal, sob a direção do nosso colega Carlos José de Barros Araújo, que conosco concluiu o Curso Ginasial nos anos de 1932, no  Diocesano.

O Martins Júnior, fundado em 1928, funcionou até 1934, quando os seus diretores vieram para o Recife, tendo contribuído de maneira eficaz, para o desenvolvimento cultural da cidade.

No nosso tempo, o 15 de Novembro, o Diocesano, o Santa Sofia e o Martins Júnior, eram os responsáveis pelo aprimoramento intelectual dos jovens de todos os recantos do Brasil que ocorriam para a nossa Garanhuns. (Fonte: Alfredo Vieira | Garanhuns do Meu Tempo | 1981).

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