quinta-feira, 28 de abril de 2022

O Apóstolo Uzzae Canuto

Neste dia 17 de novembro, faltando apenas 44 dias para o término do ano de 1984, o colunista houve por  bem homenagear uma das figuras humanas mais importantes de Garanhuns, em todas as épocas. A responsabilidade de escrever sobre Uzzae Canuto (foto) é muito grande, se bem que  outros aficionados da imprensa, literatura, e  arte garanhuense já o fizeram com inegável e substancial êxito. Porém, a meu ver, tudo que se disse - e que disser - a respeito do escritor, poeta, educador e pastor presbiteriano, é e será muito pouco - face à inequívoca grandiosidade daquele que considero o Apóstolo Uzzae Canuto. E isto, como poderá parecer o menos avisados, não constitui-se, não é qualquer panegírico, elogio fácil e subserviente, mas apenas e tão somente um sentimento de reconhecimento, de  gratidão humana que toda cidade de  Garanhuns lhe deve.

A matéria aqui elaborada foi produzida por um ex-aluno de Colégio 15 de Novembro, um homem maduro na migração nordestina em São Paulo, que tem nossa terra pernambucana no pensamento e no coração, e que,  como garanhuense optativo quanto mais o seja os de nascimento, tem perseverado na fé e na crença dos valores memoriais pelos quais me tenho empenhado.

Confiei a Ivonita Guerra, amiga e  irmã - afetiva, Secretária da Redação deste jornal (O Monitor), a tarefa que lhe sei gratificante de revisar o escrito, vernacular e gratificante. Requisitei da professora Zilda Sales Canuto, esposa do  meu homenageado, elementos microbiográficos e curriculares mediante os  quais pudesse levar ao público - leitor os feitos dignificantes com que Uzzae  glorifica, mesmo na distante Teresina, a terra a quem tanto serviu a permanece amando. Solicitei de Ednaldo Sales Alves, chefe de Linotipia, de Manoel Ouro Preto Neto (fui grande amigo do seu avô) e Ernando Leite, chefes da Impressão, a maior acuidade técnica -  tipográfica, para que, na Coluna do Povo, de hoje, não ocorram erros. Em respeito aos leitores, e, sobretudo, a Uzzae Canuto - o Apóstolo de Garanhuns.

"Filho de Manoel Canuto e Josefa Canuto. Nascido em Canhotinho, Pernambuco no  começo do século, 1907, afastando-se daí logo cedo e indo morar com seus  pais, na cidade de Vitória de Santo Antão, e, depois, Caruaru e Recife. Só voltando à sua terra natal, com mais  ou menos 20 anos. Nesse período foi  menino peralta o quanto se podia. A vida lhe foi muito dura. Trabalhou nas mais humildes atividades da época. Com mais ou menos 17 anos de idade se sentiu chamado a professar a religião dos seus pais. Foi assim que trabalhando numa fábrica de malas e  frequentando a Igreja Presbiteriana, começou a estudar no Liceu de Artes e Ofícios, onde fez o curso primário, no Recife".

"Entre 19 e 20 anos foi estudar em Garanhuns, no Colégio 15 de Novembro, onde fez o curso de ginásio e trabalhava em vários serviços para  ajudar na sua manutenção. Daí foi para o Seminário, em 1935, se bacharelando em teologia, tendo, em 1936 defendido tese e sido ordenado Pastor Presbiteriano".

"Foi por esse tempo, convidado a  trabalhar no Colégio 15 de Novembro, em Garanhuns, o que aceitou. Como professor neste colégio, tinha outras atividades, como Diretor de Disciplina, Diretor de Ensino, Diretor de Internato e da Sociedade Literária. Era também Pastor de várias Igrejas na Zona Rural".

"No ano de 1937 casou-se com a professora Zilda Sales. Depois de 10 anos de casado chegou o primeiro filho. Emília Tereza, em seguida Manoel Sales Canuto.

Fez o curso de filosofia da Unidade Católica de Pernambuco e o Curso de pós-graduação na Universidade Federal de Pernambuco. Depois de 20 anos de atividades no Colégio 15 de Novembro, se transferiu para a  rede de ensino do Estado. Foi assim professor e diretor de estabelecimento de ensino médio até que se aposentou. Foi professor dos Colégios Professor Jerônimos Gueiros e Ginásio Industrial de Garanhuns. Foi também professor  no "Jerônimo Gueiros" de Canhotinho, no São Geraldo de Bom Conselho e do Ginásio de São Bento".

"Em Garanhuns teve ao lado das  suas atividades de professor várias atividades, lembrando as quais se houve muito bem. Foi presidente da Câmara de Vereadores, Secretário da  Prefeitura, Secretário Municipal da Educação. Também, Presidente do Rotary da Liga de Futebol e do Sindicato dos Empregados do Comércio de  Garanhuns, tendo por isso, sido representante de Pernambuco no Congresso Nacional dos Trabalhadores, no Rio de Janeiro. Por motivo de saúde, teve de deixar Garanhuns, indo  morar em Teresina, capital do Estado do Piauí".

"Certas e determinadas coisas segundo seu falar, sempre o levam a  olhar no sentido de Garanhuns, como sejam: no carinho como foi tratado por toda gente de sua terra, a honra de o terem feito membro de sociedade de letras, ter seu nome dado a certas organizações - a biblioteca do Colégio Jerônimo Gueiros, o Grêmio Literário do Ginásio Presbiteriano de Heliópolis, salão-nobre do Colégio  Jerônimo Gueiros de Canhotinho, e, com o Monsenhor Adelmar da Mota Valença, membro da Academia Pernambucana de Educação e Cultura".

Foi também, professor da Faculdade de Formação de Professores da Universidade de Pernambuco, em Garanhuns, e da  Faculdade de Ciências da Administração de Garanhuns".

Diz-me a querida amiga, professora dona Zilda Sales Canuto: "Rinaldo - Não foi tarefa fácil redigir os dados biográficos, de Uzzae, solicitados pelo prezado amigo. Não foi tarefa fácil porque Uzzae na sua esquisitice, se  negou a dar-me ajuda que esperava e  eu, assim, espero ter atendido a sua  solicitação. Creia-me, foi o melhor que consegui fazer".

Vejam bem senhores leitores, a  "esquisitice" a que se refere a esposa de Uzzae Canuto nada mais significa do que a modéstia que lhe é inerente, a simplicidade que lhe tem acompanhado durante toda pródiga vida, e, isto é precisamente uma das características do seu apostolado. Meu amigo, o escritor Alberto da Silva Rêgo, falou-me da indissolúvel amizade que o bispo católico, Dom Adelino Dantas, devotava ao presbítero de Martinho Lutero, o grande amor fraternal que dedicou ao Pastor Uzzae Canuto. Esta crônica, reportagem ou qualquer outra designação que se lhe queira dar, é, na Coluna do Povo, mais de  Garanhuns do que do colunista, mais da boa gente garanhuense do que do relato fiel de dona Zilda Sales Canuto, por sinal uma garanhuense de profundas raízes populares.

Muito teria a acrescentar sobre o professor Uzzae Canuto, mas detenho-me. A lauda e meia que o jornal reserva-me semanalmente foi extrapolada, se bem que para escrever-se sobre tão importante humanista todo espaço é pouco, e, nisto, a direção do  jornal tem que consentir a publicação na íntegra. Em homenagem, inclusive, a data em que, anteontem, o Colégio 15 de Novembro, de Garanhuns, completou mais um ano de vida e de glórias.

*Rinaldo Souto Maior | Jornalista, cronista e historiador | São Paulo, 17 de novembro de 1984. Texto transcrito do jornal O Monitor. Acervo: Memorial Ulisses Viana de Barros Neto.

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