sexta-feira, 29 de abril de 2022

O inverno na fazenda


Maria Maura Melo

Nem uma estrela sequer no firmamento,

Densa e terrível, a negra escuridão

Um turbilhão de coisas, vem-me ao pensamento,

Aqui sozinha, nesta solidão.

Nas caladas da noite, com certeza,

Dorme calma e tranquila a natureza.


E as horas se seguem compassadamente,

O galo canta anunciando o dia.

A neve vai caindo levemente,

Acordam as aves em doce sinfonia.

O sol dourado vem banhando o galho,

Qual diamante, cada gota de orvalho.


Passam bandos de aves em revoada,

Balindo a ovelha, junta-se ao rebanho.

Levanto cedo sem temer a geada,

E na lagoa vou tomar o banho.

passam os bezerros em largo trotear,

Muge a vaca na porteira do curral.


O homem começa o seu labor,

Empunha o ferro no seu braço forte,

Exposto a chuva, ao vento ou ao calor,

Sempre contente, não maldiz da sorte

E pede a Deus em seu pobre coração,

Que o proteja e não lhe falte o pão.

Águas Belas/PE - Ano 1986.

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