domingo, 24 de abril de 2022

O Mestre de Garanhuns

Marcílio Reinaux*

Nem seria necessário dizer a quem nos referimos, ao intitularmos estas linhas. O mestre de Garanhuns, o mestre de todos nós, o mestre que em vida recebe o reconhecimento e a homenagem como cultura viva de Pernambuco é o Padre Adelmar. Ir à Garanhuns para nós - a qualquer tempo - é sempre ter uma alegria inusitada, mas ir a nossa terrinha e ver o  Padre Adelmar é encher o peito de doces reminiscências da infância e da juventude, pois nele e na sua figura impávida, vemos tudo de maravilhoso e bom que formou o nosso caráter, a nossa personalidade, projetando-nos como homens no contexto da vida.

Padre Adelmar soube construir com as suas mensagens de suas aulas de civilidade a "estupenda vitória", do bem sobre o  mal, mostrando por antecipação as curvas dos nossos destinos, pelos  ínvios caminhos da vida, na luta pela existência digna e honrada onde o "lutar é vencer". Diríamos aqui, como disse o ex-aluno Aleixo Leite Filho, escrevendo destacado artigo: "Padrão de Glória", publicado no Jornal de Letras (Rio). Diz ele: "sei de mim, que morto e triturado, não pagaria, jamais, o favor que recebi na minha formação moral de adolescente, os ensinamentos e exemplos de dignidade daquele homem simples que  sabia infundir respeito às coisas sérias e brandir a arma da vergonha contra a corrupção e a falsidade, a hipocrisia, e, sobretudo, a falta de fé nos verdadeiros  postulados cristãos".

Dificilmente se forjará homem da têmpera de Padre Adelmar, pelo menos dentre tantos que conhecemos de várias gerações, inclusive a nossa, e disso ele deve ter a consciência do seu dever cumprido, marcando com o ferrete de suas frases célebres sulcos profundos na nossa personalidade. Dele, a premissa de vida: ensino e instrução moral sempre teve a grande ênfase nos aspectos morais. Entendia e sempre entendeu que o melhor é moldar o homem moralmente num comportamento correto, do que apenas lhe ministrar letras. As letras se agregarão à personalidade com a progressão do ensino.

Daí por que o Ginásio da Praça da Bandeira (Praça Mons. Adelmar da Mota Valença), sempre foi para nós mais que o colégio de tantos alunos e colegas. Mais  que a simples escola. Foi a primeira grande escola da vida, com o melhor dos mestres. O Ginásio foi e sempre será a casa luzidia, onde se ensina o mais "alto padrão de civismo e de glória", como uma  espécie de templo sagrado de luz e saber como diz a própria letra do hino do educandário. Assim tem sido nestes mais de sessenta anos de vida. Por trás das vetustas paredes, dentro dele, suportando ele, sendo a sua própria essência, está a figura erecta do Padre Adelmar. Nunca uma instituição fundiu-se tanto com uma pessoa como Ginásio e o Padre. Os dois são uma só instituição, um  só patrimônio inalienável de Garanhuns. Inegavelmente ele, o Padre, tem sido ao longo de tantos anos, o ponto básico da "romaria" de ex-alunos que a cada ano voltamos à terra de Simôa Gomes para ver a ambos: o Ginásio e o Padre, mais ao Padre que ao Ginásio.

Sem subterfúgios, sem figurismos nem expressões balofas, nem atitudes chulas e repetitivas, com toda a sinceridade de entendimento, que nenhuma outra criatura em Garanhuns a qualquer tempo possa merecer com maior dignidade o título de: "Mestre de Garanhuns", do que Adelmar da Mota Valença.

*Professor, pesquisador,  historiador, advogado e pintor | Recife, década de 1990.

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