sábado, 30 de abril de 2022

Pássaro morto


Lauro de Alemão Cysneiros

Ainda ontem, na velha laranjeira

Plantada lá no fundo do quintal,

Ao despertar da aurora alvissareira,

Modulava seu canto matinal.


Hoje, no entanto, quando a prazenteira,

Resplandecente, luz auroreal

Surgiu no espaço, cândida, fagueira, 

Não mais ouvi seu canto original.


Saindo por sabê-lo onde se achava,

Que de surpresa o coração me invade,

Vendo morto o cantor que me embalava...


Hoje, quando desperto, que abandono!...

Nem o sono acalenta-me a saudade,

Nem a saudade me acalenta o sono.

Garanhuns, 17 de Setembro de 1977.

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