sábado, 16 de abril de 2022

Poesia e cultura em Garanhuns

Seria de todo impossível ao memorialista, falar sobre todos os intelectuais que  ao seu tempo, fizeram a cultura da cidade dos "amores perfeitos", como o saudoso mestre Jerônimo Gueiros, chamava de Garanhuns.

Em crônicas anteriores, salientamos alguns daqueles mais ligados diretamente a nossa família por laços de afeição e amizade.

Há vários meses, com a inteligência privilegiada que Deus lhe deu, José Francisco de Souza (foto), jornalista e advogado, em coluna permanente no "O Monitor", vem traçando os perfis dos nossos intelectuais, mortos, alguns ainda vivos e outros até na imortalidade das nossas Academias, procurando lembrar às novas gerações, aqueles que algo fizeram pelas artes e letras de Garanhuns.

Homenageando as suas elites, pela omissão involuntária de muitos dos seus nomes, na ação cultural em prol de sua cidade e de sua gente, estamos destacando os seguintes: Prof. Luís Correia Brasil, notário, político, literato. Falava bem e sabia escrever bem o português claro e escorreito. Gostava de ouvi-lo quando falava das lendas e fantasmas de Garanhuns, também dando informes de fatos ocorridos do qual fora testemunha; João Domingos da Fonseca, que não era garanhuense de nascimento. Chegara moço e foi aluno interno do Diocesano, ao tempo do Mons. Antero. Depois seu professor de humanidades, jornalista e advogado. Típica formação Garanhuense; Morse Sarmento Pereira de Lira, jornalista; Horácio Vilela, exímio violinista (foi sacristão da Matriz de Santo Antônio), musicista, compositor e orquestrador de música sacra e erudita. Pertenceu ao "cast" da Rádio Clube de Pernambuco, integrando a sua Sinfônica, professor do Conservatório Pernambucano de Música. Muito recentemente, nas apresentações no Teatro Santa Isabel, do  "1º Ciclo de Música Pernambucana para Piano", organizado pelo musicólogo Padre Jaime C. Diniz, o pianista Marco Antonio Caneca, executou a  valsa "Alma em prece", de sua autoria, tendo o Maestro Geraldo Parente, feito elogiosos comentários às suas músicas. Horácio Vilela, ganhou notoriedade e ficou conhecido como musicista ao deixar Garanhuns e ingressar no Conservatório de Música de Pernambuco, na condição de seu  professor; Amadeu Aguiar, poeta e jornalista; desembargador Augusto Galvão, magistrado, formado em 1910, pela Faculdade de Direito do Recife, jornalista, fez política nas Alagoas e terminou integrando a sua mais alta corte de justiça, na condição de desembargador. Também poeta. O professor Arthur Maia, poeta, professor de português, integrante do Grêmio Polimático, onde se destacava nas apresentações dramáticas e nas declamações de poemas históricos. Costumava usar gravatas de laços bem extravagantes e sempre usava uma flor na lapela dos seus paletós. Era tipicamente, o tipo filósofo. Alheiro às criticas e às maledicências, vivendo exclusivamente para seus estudos. Em consequência de um seu trabalho sobre a "Instrução em Garanhuns", publicado no "Álbum dos anos 1922/23, o Prof. Arthur Maia, foi nomeado pelo Governador Ferreira  Chaves, do Rio Grande do Norte, professor público no vizinho estado. Voltando a Garanhuns, manteve escola particular onde predominava o ensino de português e literatura, pelos métodos mais modernos da época.

Casado com a Sra. Brasil Maia, também intelectual e autora de  vários artigos para as revistas e jornais da época. (Fonte: Alfredo Vieira | Garanhuns do Meu Tempo | Ano 1981).

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