domingo, 17 de abril de 2022

Sou caipira sim senhor


Paulo de Melo (O Poeta da Natureza)

Chamaram-me de roceiro, caipira e sertanejo. Sou caipira, sim senhor! Sou caipira com orgulho, pois nasci lá pertinho da nascente, onde se formavam os rios, que  banhavam este Brasil. Gigante em tanta beleza, recanto da  natureza, e foi bem aqui que nasci.

Muitas águas cristalinas descendo formando rios, banhando todo o baixo onde cantava a passarada, e as  plantas todas crescendo, as flores desabrochando, as borboletas voando e contemplando a natureza.

Flores de grande beleza, cores sempre variadas. Flores sempre perfumadas, esta beleza é Brasil. E que aos poucos sumiu, e já não encontro mais. Onde viveram os meus pais, não tem mais esta riqueza.

Sou caipira, sim senhor! Caipira com certeza, defendo o meu país, o meu pedaço de chão, meu recanto de  sertão onde eu já fui feliz, mais o progresso não quis, devastou a natureza e acabou toda a beleza, levou toda a  riqueza do meu recanto feliz. Sou caipira, sim senhor!

Apareceu um doutor, de aparência elegante sujeito muito falante, sujeito conversador. Sou cidadão defensor e protetor da natureza, vim trazer mais riqueza, nesse canto de sertão. Vamos fazer parceria, o progresso é muito bom, e  tem a tecnologia. O papai analfabeto sincero e muito honesto, acreditou no doutor . Veja ai o que sobrou, miséria e destruição, no meu recanto feliz, meu pedaço de sertão. Devastou a natureza, acabou toda riqueza, exterminou a beleza, às árvores todos cortou; já secaram as nascentes, judiaram dessa gente, mataram a criatura e o planeta sente a dor.

Sou caipira, sou roceiro, sertanejo... Sim, senhor!

Garanhuns/PE - 2017.

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