sábado, 16 de abril de 2022

Tipo popular de Garanhuns

Foto: Garanhuns, PE - Barbeiros trabalhando na feira livre em 1942. Créditos da foto: Benício Whatley Dias / Acervo: Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ)

Manoel Bonitinho - Quando o Dr. Celso Galvão foi prefeito de Garanhuns pela primeira vez (1937-1945), o Parque Euclides Dourado foi o local escolhido por ele para instalação de um jardim zoológico. Nele, existiam várias espécies de animais, tais como: emas, araras, veados, macacos e outras. Para cuidar dos bichos, o prefeito nomeou um funcionário municipal de nome Manoel Faustino (Manoel Bonitinho). 

Um cidadão muito conhecido nesta cidade, resolveu realizar uma vaquejada no parque, e no dia do evento, vários fazendeiros da região trouxeram para a festa vários touros bravos, cavalos amestrados e vaqueiros preparados para competição de derrubada de animais. Manoel Bonitinho inventou um meio para ganhar dinheiro naquele dia. Abriu a gaiola onde estavam os macacos e retirou de lá uma macaquinha, arrumou-a pela cintura com um cordão e a bicha pôs-se em dar cambalhotas para todos os lados. Meia hora depois, as pessoas que assistiam a vaquejada cercaram o local para ver a macaquinha saltar e Bonitinho fazer careta. O dono da derruba dos bois irritou-se com aquele espetáculo que lhe dava prejuízos; partiu para lá com uma chibata na mão, deu quatro chibatadas no lombo de Bonitinho, outras quatro no espinhaço da macaca. Os dois saíram em desabalada carreira pelo parque à fora e a meninada gritando:

- Pega a macaca Manoel Bonitinho.

Manoel Bonitinho, além de funcionário municipal era também barbeiro. Com o que ganhava no emprego não dava para sustentar a família, ele, todas as semanas, armava um tolda numa das feiras da cidade e no exercício de sua profissão ganhava alguns mil réis para ajudar na despesa de casa.

Sua ferramenta de barbeiro era composta por uma tesoura, um pente, uma navalha, uma bacia para fazer espuma e uma PEDRA ARREDONDADA  do tamanho de uma bola de sinuca. A toalha que envolvia a clientela era feita de um pedaço do vestido da mulher. O guardanapo que punha no pescoço do cliente era o lenço dele próprio, com o qual enxugava o seu nariz e o rosto de quem fazia a barba.

Quando alguém sentava-se na cadeira para fazer a barba, Bonitinho abria-lhe a boca e colocava a pedra redonda entre o interior da bochecha e o maxilar. A pessoa ficava com o rosto deformado como se estivesse com uma terrível dor de dente. Certo dia o fazendeiro Antônio Baraúna foi fazer o barbeamento, e logo que sentou-se na cadeira teve a pedra introduzida na boca. Quando o barbeiro terminou o trabalho o freguês lhe perguntou:

- Onde o senhor encontrou esta pedra?

Teve como resposta o seguinte:

- Ela veio do alto sertão da Paraíba e não é encontrada aqui no agreste. Esta que coloquei na boca do senhor, semana passada o cego Manoel Joaquim engoliu-a e, pra sorte minha, no dia seguinte, após a defecação o cego me trouxe de volta.

Antônio Baraúna cuspiu no chão, fez uma careta danada e saiu resmungando feito um doido.

Manoel Faustino viveu quase oitenta anos, sempre gozando para quem ria de sua feiura.

*José Rodrigues da Silva | Jornalista, professor, historiador e cronista | Garanhuns, 21 de dezembro de 1990.

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