quinta-feira, 5 de maio de 2022

"Alagoa do Ó"

Paulo Gervais

Ó

o que vem abaixo, exaurindo morros e atirando pedras

O que alça voo por canais de esgoto

e desolação intratável

e engorda camundongos até a pachorra

e levanta urubus até o céu!


Branca branca areia céu azul azul!

Ó

o que há de pau

a pique de madeira sem peso

nessas jangadas de velas abertas enfunadas

fazendo sinais de empresas bem sucedidas!

O que há de homem à deriva e navios atracados

que já não tentam o alto mar!

Ó

o que se faz em barro cru, urgentemente

em taipa

e abate voos com finas taliscas.


De braços com uma jardineira enfeitada e velha,

passageiro,

vês os jardins pela janela do ônibus que foge

e fugir a moça bonita, fugir o farol, o mar fugir

reduzindo a um instantâneo

e esgotar-se

a água, a doçura íntima,

e crescer

duro

o coco, vazio e cascas

e ruir castelo e romper-se o dique

que alevantaste para afrontar as marés.


E o mar passar, atlântico, maior

que as lentes da tua máquina.

Garanhuns, 03 de maio de 2022. 

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