quinta-feira, 12 de maio de 2022

Martinho de Oliveira, um grande idealista

Marcílio Reinaux*

Coube ao inolvidável professor e pastor Martinho de Oliveira (foto), a institucionalidade do tradicional e pioneiro Colégio Quinze de Novembro, no limiar do século XX. Quem nos fala da figura de Martinho de Oliveira, é o professor Arthur Brasiliense Maia, ou Arthur Maia como ficou conhecido. No livro do historiador Alfredo Leite Cavalcanti, o autor cita Maia, que diz: "cabe ao presbiterianismo, por iniciativa do então pastor Martinho de Oliveira, tarefa gloriosa, difícil e sublime de encarar mais seriamente o grande problema que constituiu a obra inicial e patriótica de  educar pioneiramente em Garanhuns".

O primeiro nome do Colégio dado pelo professor Martinho de Oliveira foi Escola Paroquial Evangélica de Garanhuns, funcionando inicialmente em prédio alugado e pago com os recursos - incialmente - do próprio pastor, situado na antiga Rua do Jardim, hoje conhecida Rua Joaquim Nabuco, Martinho de Oliveira foi antes de tudo um idealista. Se seu amor ao  Evangelho, carreira à qual abraçara desde moço, no atendimento do mandamento do Mestre do "Ide e Pregai", era arraigado em toda a sua vida, não menos veio a ser  também o seu amor pelo magistério, segundo e importante atividade do grande homem. Uma vontade incontida de levar oportunidades para que as novas gerações pudessem se educar com um adestramento para a vida à luz da palavra de Deus. Oportunidade de absorção de conhecimentos humanísticos sólidos e corretos. O seu  ministério, logo foi, então sentido como profícuo em todos os aspectos.

A intrepidez do reverendo Martinho de Oliveira, um santo homem de Deus, era  coadjuvada pelo desprendimento de sua  esposa, dona Maria de Oliveira, que colaborando em tudo, poderia juntos firmar os alicerces plantados pelo casal Butler anos antes. O casal Oliveira ministrava todas as matérias indispensáveis ao ensino da época. Lecionavam: português, aritmética, latim, francês, inglês, geografia, trigonometria e música. Uma pauta portanto avolumada para apenas duas pessoas se desincumbirem de tão ingente tarefa. É de se esperar que no final dos dias, estavam exaustos do trabalho e por vezes precisavam se preparar para  a faina da pregação, com Pontos e Igrejas a frequentarem e colaborarem com o trabalho do Senhor, sendo diretamente responsáveis por alguns.

A História do Protestantismo Presbiteriano em Pernambuco está cheia de lances heroicos da vida do pastor Martinho de Oliveira, que pastoreou no interior do  Estado várias Igrejas, destacando-se sua  atuação em Garanhuns, pelo fato de que, por amor também ao Magistério, teve oportunidade de trabalhar exatamente no momento mais importante de uma  instituição: a sua fundação, organização e superar os primeiros problemas, sempre os mais difíceis. Com relação ainda ao Colégio Quinze e o período inicial, ainda é o professor Arthur Brasiliense Maia quem nos fala, em suas palavras escritas no já  citado livro do historiador Alfredo Leite Cavalcanti. Diz ele:

"Incitados por esse verdadeiro rasgo de caridade - pois é grande obra de misericórdia ensinar aos que não sabem -  despertaram, então, poderes públicos e, de  mãos dadas àqueles que, particularmente, se dedicaram à elevada missão de iluminar cérebros que fazem imersos em noite profunda da ignorância, trataram de tomar na devida consideração aquilo de que se haviam esquecido os seus antecessores". Com isso vemos que a implantação da  então Escola Paroquial Evangélica de Garanhuns, sonho dos Butler, realidade dos Oliveiras, foi uma página de pioneirismo em Garanhuns, desde que antes são registrados oportunidades de ensino, sem contudo terem a chancela e o apoio oficial. Alguns anos mais tarde surgiram em Garanhuns, outros educandários como o "Colégio Acioli", instituição que não medrou, tendo os mestres Augusto de Oliveira Galvão, Manoel Clemente e Coelho Filho. A "Escola Raul Pompeia" fundada em 1917 pelo professor Arthur Maia e logo depois o Ginásio de Garanhuns fundado em 19 de março de 1915 pelo então Cônego Benigno Lira, aproveitando alunos da antiga Escola Paroquial fundada anteriormente pelo Monsenhor Afonso Pequeno. O primeiro Diretor do Ginásio de Garanhuns foi o Monsenhor José Ferreira Antero. Registra a história da instrução de Garanhuns, que o Colégio Evangélico Quinze de Novembro, na visão de Martinho de Oliveira, foi o primeiro educandário e não fazer acepção de pessoas e de  credo, recebendo todos, independente da  religião de cada um. Com isso isso entendia o velho Pastor, que haveria mais chances mais oportunidade de também exercitar paralelamente o ministério da pregação, levando o testemunho de salvação de  Nosso Senhor Jesus Cristo e tantos quantos, alunos do Colégio, ainda não havia tido uma experiência salvadora. Ao longo da história do Colégio Quinze, essa premissa ficou comprovada, quando centenas de  alunos em todos os tempos, fizeram suas  decisões de igualmente serviram a Cristo, aceitando-o como Salvador pessoal. O testemunho dos professores dos dirigentes e até de colegas tornou isso possível, transformando a vida de muitos que tiveram a ventura de por aqueles corredores passarem.

O Reverendo Martinho de Oliveira faleceu a 28 de junho de 1903 deixando já  uma obra missionária de disseminação do Evangelho bastante solidificada no  Agreste Meridional do Estado, coroada com o seu trabalho do magistério e com  a obra indestrutível do Colégio Quinze, sua antiga Escola Paroquial. A perda do  grande educador parecia deixar uma  lacuna impreenchível nas ciências e nas letras da Terra de Simôa Gomes. Mas o seu trabalho não seria vão no Senhor e com  ele não foram sepultados os sonhos. A semente ficara firme e forte e germinara e  produzira bons frutos da frondosa árvore plantada. Frutos não sazonais, mas  perenes, constantes, belos e úteis os quais ainda hoje se multiplicam nas diversas atividades da vida, em todos os rincões do Estado e da Pátria. Outras mãos surgiram como num grande mutirão, secundando o trabalho pioneiro e levando a missão em continuada ascensão. Dr. George e Marta Henderlite, foram os seguidores.

*Professor, jornalista, escritor, poeta e pintor | Recife, 20 de julho de 1985 | Texto transcrito do jornal O Monitor.

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