terça-feira, 3 de maio de 2022

Pau Amarelo


Marcílio Reinaux

Bouganviles derramados

pelo terraço da 

casa grande irradiando

múltiplas cores,

A pastagem em frente,

verdejante; o canto dos 

Pássaros apressados.

O riacho perene,

silencioso, modorrento.

A montanha emoldurando

o "PAU AMARELO".


Junho.

A casa vestindo-se de 

festa, no calor da fogueira junina,

queimamos nossos sonhos

e com eles os 

estalidos das brasas

rubras eram ouvidos.


O saudosismo telúrico do passado,

no som da música, 

buscando-se afugentar-se as tristezas

presentes da vida.

Balão subindo e descendo o frio, de Garanhuns.

Lá dentro o "forró", com o calor 

no olhar fascinantes das morenas

de quadris largos e  requebrados ligeiros.


Bode assado, pamonha, queijo.

Todo mundo comendo,

madrugada à dentro, galinha guisada com farofa.


O fole soprando.

O triangulo retinindo.

O bombo surdo ressoando.

Vinho, "pitu", conhaque "Cinco Estrelas".

O frio chegando com a garôa.


O carro de boi à porta, parado.

Não geme mais, suas dores;

gememos nós nossas dores.

O carro fica quieto de saudades,

ilustrando apenas a paisagem da Fazenda,

no acalanto do nosso coração.


Depois da noitada,

da boa festança,

o sol vem raiando,

o fole soprando,

o gado longe, mugindo.

A festa vai se findando,

a flora vai se abrindo,

o amor vai morrendo,

a gente vai partindo,

a saudade vai chegando,

o povo sai sorrindo,

Sebastião fica chorando.


A criança brincando

"O PAU AMARELO" cantando,

sua canção e suas flores coloridas.

O velho sorrindo,

Garanhuns acordando.

Recife, 15 de Setembro de 1979.

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