domingo, 1 de maio de 2022

Vultos de Garanhuns

ANTÔNIO PANTALEÃO DA SILVA - É um compromisso moral que temos em divulgar nosso testemunho - sobre pensamento e conduta intelectual - dos homens considerados por nós, como vultos da cidade. Ao longo da nossa história jamais faltaram espíritos com encargos de contribuir para o desenvolvimento da nossa terra. Homens espiritualmente credenciados para impulsionar o progresso humano. É na sua humanidade que reside a força dos  personagens da história. O ser humano é convocado pelas circunstâncias mesológicas - porque possui algo capaz de marcar a sua passagem pela vida. Viver não é somente voltar-se para o passado, é sobretudo uma integração no eterno presente. O vulto de hoje era um homem que sentia que  em tudo havia algo a reviver. Gostava de buscar o essencialmente humano nos  acontecimentos. Nascera aqui e entre nós dedilhou as contas do seu rosário de sofrimento. Segundo os  seus conceitos as coisas têm os seus valores intrínsecos. Todos os meios são legítimos se soubermos  valorizá-los. Para isto, devia-se, segundo os seus conceitos, utilizar-se mais a inteligência do que os sentidos. Embora o sentir fosse mais  velho do que o entender. Sua preocupação era ordenar as ideias de forma lógica. Preferia estabelecer um silogismo a fim de alcançar a forma positiva de pensamento é força poderosa capaz de transformar o mundo das formas.

ANTÔNIO PANTALEÃO DA SILVA  - era construtor edificava prédios e arquitetava planos no campo mental. Começando de baixo como tudo que alcança projeção no mundo da realidade. Não estabelecia normas com relação entre "o ser e o não ser". O que existia no microcosmo é o mesmo que  existe no marco. Na terra o  ser humano era a figura central entre o "infinitamente pequeno e o grande". Conhecia profundamente a filosofia oriental era filiado ao Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento. Professor de Ciências Ocultas, no que fora muito criticado pelos profanos. Exoterista e como tal estava identificado com os expoentes dessa matéria. Tanto a tradição oriental, na Teosofia, como na ocidental expressa no sistema Rosacruz. Lia muito a Doutora Annie Besant, eminente presidente da Sociedade Teosófica. Discutia e polemizava sobre a capacidade do domínio mental dos iniciados no "Templo do Himalaia". Como jornalista foi doutrinário, escrevia fundamentado em princípios daí a  sua coluna "DOUTRINA CONTRA DOUTRINA" muito comentada pelos intelectuais da época. Quando os medíocres pretendiam opinar sobre os seus pontos de  vistas, esboçava um riso... Por muito tempo ensinou letras no centro Proletário. Educou muitas gerações de sacrificados pela incompreensão dos adeptos da mais valia. Sofreu, como era óbvio, algumas restrições. Ocupava no Centro de Cultura Intelectual "SEVERIANO PEIXOTO" - a cadeira patrocinada por LUIZ CORREIA BRASIL. O seu trabalho de posse foi um verdadeira peça literária.

Representou muito bem a nossa terra em conclaves políticos. Não era filiado a qualquer partido dessa natureza. Como orador deixava muito a desejar. A palavra não lhe era muito fácil. Era o tipo de discurso que só poderia ser bem ouvido, depois de alguns minutos. Os pensamentos surgiam,  as palavras lentas e suspirosas, davam formas as imagens, e o orador se transfigurava. Daí, então ninguém transmitia melhor as belezas do azul suspenso dos céus. Tinha um pouco de Patrocínio, o abolicionista. Poeta primoroso. Certa vez em uma das memoráveis reuniões do Centro Severiano Peixoto (21 de abril) escalado para falar escreveu e dedicou um SONETO ao protomártir da República. Foi um deslumbramento. Era da escola parnasa. Contudo, lia a apreciava os modernistas especialmente, o poeta - ÁLVARO MOREYRA. 

Depois, no bate-papo, dizia não tem jeito não, meu caro, o que eu o sou é um "rimador inveterado". A vigília cívica deveria ser substituída pela vigília espiritual. Esta recebe constantemente, os efeitos contínuos da bondade divina. Sofreu muito, suportava tudo com uma paciência franciscana. Parece que o sofrimento para ele era um alimento que dava forças espirituais ao seu pensamento positivo. E, assim vivia em plena forma física e intelectual. Dos mestres da espiritualidade: FLAMARION, ELIFAS, LEVI, GABRIEL DELANE E AKASAKOF eram seus orientadores. Portanto, foi uma figura humana que honrou o pensamento e a inteligência dos  que abriram os olhos para a  vida aqui na nossa terra. É um dos vultos da nossa cidade. Foi uma paisagem humana muito fascinante. O seu nome deve constar em uma das nossas ruas, da cidade que foi o seu berço e o seu túmulo como apóstolo do bem.

Dr. José Francisco de Souza (foto) | Advogado, jornalista, cronista e historiador | Garanhuns, 20 de agosto de 1977.

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