terça-feira, 3 de maio de 2022

Vultos de Garanhuns

Não podemos esperar que todas as diferenças filosóficas e religiosas desapareçam. Nem desejar poderíamos visto como o estabelecimento de um sistema "ortodoxo" poderá levar a outra fonte. Onde as águas não são puras, cristalinas. A regressão narcisista pode determinar a conduta psicológica dos que ainda vivem presos aos impulsos do Ego. Mesmo dentro dessas possibilidades  de ordem íntima há um credo de experiência comum em cada um de nós.

Essa profissão de fé se inicia publicamente pela afirmação desse credo. Como símbolo dos Apóstolos, o indivíduo representa em  si mesmo a humanidade. É a mesma condição para  todos malgrado as inevitáveis diferenças de inteligência e de talentos. Esse  predicado do verdadeiro cristão revela que nada do  que é humano é estranho à pessoa de que "Eu sou tu".

Que pode entender o ser humano porque ambos compartilham dos mesmos elementos. Essa experiência só é possível plenamente se ampliarmos a esfera da nossa consciência. Pela importância de que se reveste esse trabalho convocado as nossas forças positivas. E as nossas faculdades atingem novas dimensões. Ampla educação moral se nos apresenta de modo irreversível. Um pouco de conhecimento na natureza dessas coisas e de  suas causas nos fazem entender os seus efeitos. Só a vocação orienta o rumo das coisas sublimes da vida. Isto não implica em domínio da mística religiosa. Mas em reconhecermos que em essência somos todos irmãos pelo amor do  Cristo. Um cristão é outro cristo. Portanto, viveremos fortalecidos e amparados pela fé. As nossas limitações não mais nos dominam. Transformam-se e tomam dimensões mais  amplas no sentido do amor ao próximo. O sentimento de culpa, não é o  pecado, é o eterno conflito entre o instinto de morte e o amor. Quem ama sente-se feliz. O amor é mais sublime revelação da bondade de Deus.

DOM JUVÊNCIO DE BRITO (foto) foi o quarto bispo de Garanhuns. Tomou posse da Diocese no dia 12 de maio de 1946. Revelou-se um grande amigo do Colégio Diocesano. Os termos que escreveu no Livro de  Tombo, revela a força do  verbo e do seu elevado espírito, a sua dedicação como seareiro no campo da instrução. Um condutor de almas é sempre um instrumento da divindade. Por  isto, as vitórias morais do nosso querido "Gigante da Praça da Bandeira" eram motivos de incontida alegria de sua alma de escol. O título de Monsenhor que obteve na Santa Sé para o atual diretor, foi uma prova de seu prestígio e sobretudo uma homenagem prestada ao Colégio Diocesano. No Seminário de Olinda foi contemporâneo do nosso Mons. José Antero, que o chamava de o "bom D. Juvêncio". Foi um verdadeiro  príncipe da  sua Igreja.

A sua dignidade apostolar honrou o seu governo. Integrado no verdadeiro amor ao próximo consolidou as virtudes do nosso querido clero. Digno, modesto e simples. Portador de sólida cultura teológica que servia de mais um ornamento de seu Espírito. Não obstante calmo e circunspecto, gostava do diálogo. Vivia sempre pronto a oferecer uma palavra de  conforto aos que se sentiam "cansados e oprimidos". Escrevia muito sobre a doutrina e conduta eclesiástica. As suas pastorais eram mensagens de amor cristão. Erudito em matéria de fé. Autêntico Vigário de Cristo na eternidade de seu amor. Muito estimado dos seus diocesanos. Prestigiou com muito carinho os seus auxiliares desde o mais humilde  coroinha ao mais sábio sacerdote.

DOM JUVÊNCIO DE BRITO, viveu os dias mais sublime do seu ministério aqui entre nós. A sua piedade cristã era sobretudo comovente. Figura humana digna do mais profundo respeito. Fechou seus olhos para esta vida material com a tranquilidade dos grandes missionários. Quando a morte estendeu-lhe os braços sem cerimônia aceitou o seu convite. A sua viagem para outra dimensão da vida aconteceu no dia 31 de janeiro de 1954. O Colégio Diocesano fez celebrar uma coroa Gregoriana de Missas para sua alma. Em sua homenagem fundaram instituições e escolas com o seu nome. Seus restos mortais estão sepultados em uma  das naves da nossa catedral de Santo Antonio. Agradecidos estamos por tudo quanto ele empreendeu em benefício da nossa cidade. É um dos vultos da nossa Garanhuns. E bendita seja a  sua eterna memória. 

Dr. José Francisco de Souza | Advogado, jornalista, cronista e historiador | Garanhuns, 15 de Setembro de 1979.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Adelmo Arcoverde lança o livro “Viola do Nordeste – Da Cantoria A Viola Progressista”

O professor pernambucano Adelmo Arcoverde lança, quinta-feira (26), às 16h, o livro “Viola do Nordeste – Da Cantoria A Viola Progressista”, ...