quarta-feira, 29 de junho de 2022

Como o agronegócio cercou os Guarani Kaiowá e por que os indígenas tentam retomar suas terras

Familiares transportam o corpo de Vitor Fernandes, morto durante o massacre de Guapoy - Divulgação/Aty Guasu

Murilo Pajolla | Brasil de Fato | Lábrea (AM) 

Rebatido à exaustão por especialistas, o argumento já vocalizado por Jair Bolsonaro (PL) de que no Brasil há “muita terra para pouco índio” é especialmente mentiroso quando se fala dos Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul. 

Basta olhar para a Terra Indígena (TI) Amambai, perto da fronteira com o Paraguai. Seus moradores foram vítimas de um massacre no dia 24 de junho, quando retomavam o território ancestral Guapo’y Mirim. 

Eles foram expulsos por uma ação ilegal da Polícia Militar (PM) que resultou na morte do indígena Vitor Fernandes, de 42 anos, além de dezenas de feridos. Com o nome de Massacre de Guapoy, o episódio entrou para o violento histórico de conflitos agrários na região. 

“Nossa luta é por espaço” 

Segundo a Agência Estadual de Defesa Animal e Vegetal do Mato Grosso do Sul, uma família de quatro indígenas precisa de 30 hectares para garantir sua subsistência e conduzir atividades econômicas sustentáveis. 

Na TI Amambai, porém, a média é de 0,8 hectare para cada unidade familiar. O espaço, menor do que um campo de futebol, é insuficiente para a caça, a pesca, o plantio e o extrativismo. A proporção foi calculada pelo Brasil de Fato com base em dados fornecidos por antropólogos e se repete, com variações, nas principais TIs do estado. 

“Aqui é pouca terra para muitos indígenas”, diz ao Brasil de Fato um integrante da Aty Guasu, a Assembleia Geral dos Kaiowá e Guarani. “Então a nossa luta é por espaço. Por conta disso que estamos fazendo as retomadas e a reivindicação pela demarcação”, prossegue o morador da TI Amambai.

Sem espaço para produzir alimentos, os indígenas sobrevivem de maneira precária, tornando-se vítimas do trabalho precarizado. “Os homens têm que sair e deixar as mulheres para buscar o sustento. Vão para usina [sucroalcooleira], então deixam as crianças por dois ou três meses”, relata a liderança. 

O indígena diz estar sob ameaça de pistoleiros e policiais a serviço de fazendeiros. Por isso, pediu anonimato. “Aqui é o estado onde mais se persegue e criminaliza a liderança. É o próprio estado, a própria polícia. Todas as pessoas que são foco do movimento são perseguidas. Não estamos nos sentindo seguros.”

Clique aqui e confira a matéria na íntegra.

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