quinta-feira, 30 de junho de 2022

Pesquisadores da UFPE descobrem osso de dinossauro mais antigo do Nordeste do Brasil já encontrado até hoje

Reconstrução do dilofossauro acima é baseada no estudo do pesquisador Adam 

Por Petra Pastl

Alunos do curso de Geologia e do Programa de Pós-Graduação em Geociências (PPGeoc) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) descobriram, durante uma escavação na Formação Aliança, que faz parte da Bacia Jatobá, próxima ao município de Ibimirim, no Sertão de Pernambuco, um segmento de vértebra da cauda pertencente ao dinossauro mais antigo já encontrado no Nordeste do Brasil até hoje, comparável ao gênero Dilophosaurus. A descoberta foi feita durante o mestrado de Leonardo Marinho de Oliveira, no PPGeoc, ainda em 2019, orientado pelo professor Édison V. Oliveira e coorientado pelo professor Gelson Luís Fambrini, ambos do Departamento de Geologia da UFPE, contudo somente agora, quase três anos depois, foi possível analisar a vértebra mais cuidadosamente e verificar a que grupo taxonômico ela pertence e a sua provável idade. Atualmente, Leonardo Marinho está cursando o doutorado, continuando a pesquisa do mestrado, desta vez orientado pelo professor Gelson Luís Fambrini e coorientado por Édison V. Oliveira.

A Formação Aliança já tinha sido definida anteriormente por outros pesquisadores como do período Jurássico, mas, até então, nenhum fóssil de dinossauro tinha sido encontrado no local. Este foi o primeiro. “Há 11 anos que trabalhamos [ele e o professor Édison Oliveira] na Formação Aliança, sabendo que a região é do Jurássico, pois sou geólogo e estratígrafo [que estuda as camadas rochosas visando determinar quando e como se formaram], período no qual os dinossauros povoavam a Terra, então é uma alegria imensa encontrarmos finalmente este fóssil que reforça a idade jurássica da Formação Aliança e aumenta o seu range, passando a abranger do Jurássico Superior (que vai de 163,5 a 145 milhões de anos) para o Jurássico Médio (de 174,1 a 163,5 milhões de anos, em valores arredondados)”, explana o professor Gelson Fambrini, que, além da coorientação, fez a descrição da idade do fóssil durante a pesquisa.

De acordo com o professor Édison Oliveira, ainda é necessário que mais escavações sejam feitas para que encontrem mais partes do mesmo dinossauro ou de outros organismos jurássicos no mesmo estrato rochoso e, assim, possam confirmar que a vértebra seja mesmo de um dilofossauro. Entretanto, foram realizadas medições e comparações entre ela e uma de um dilofossauro que foi encontrado nos Estados Unidos, e a conclusão é que são muito similares. “Foi Leonardo [Marinho] que, lendo um artigo científico que abordava o dinossauro americano, lembrou da vértebra encontrada na Formação Aliança e achou que eram parecidas. Em princípio, quando a encontramos na época, achávamos que era de um crocodilo, como várias outras que temos. Foi uma felicidade imensa medirmos e descobrir que pode ser de um dilofossauro”, explica o professor Édison Oliveira. Alunos da graduação em Geologia, como Gustavo Dias e Radarany Muniz dos Santos, estavam também presentes na escavação e contribuíram muito com as pesquisas. No final de maio, os pesquisadores voltaram à Formação Aliança para continuarem as pesquisas.

Clique aqui e confira a matéria na íntegra.

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