quarta-feira, 8 de junho de 2022

Violência física, psicológica ou sexual contra crianças/ adolescentes pode ser identificada e denunciada

Coordenadora do Núcleo de Licenciaturas da Faculdade Nova Roma, Érika Costa, explica que mudança no padrão de comportamento funciona como uma espécie de alerta


É preciso ficar atento aos sinais que indicam que uma criança/ adolescente está sendo vítima de violência física, psicológica ou sexual, como alerta a pedagoga e Coordenadora do Núcleo de Licenciaturas da Faculdade Nova Roma, Érika Costa. O primeiro sinal a ser observado é a mudança no padrão de comportamento, que costuma ocorrer automaticamente e funciona como uma espécie de alerta: silêncio predominante, sono excessivo, falta de concentração, mudança súbita no humor e no ritmo de estudo/ rendimento escolar, aparência descuidada, agressividade repentina, vergonha e medo exagerado/ pânico (de tudo e de todos), se assustando constantemente, mesmo sem motivo aparente.

Mais especificamente a violência sexual costuma ser praticada por alguém da família ou próxima a ela, na maioria das vezes. O abusador geralmente manipula a vítima e essa não percebe que está sendo coagida: ganha a confiança e faz com que se sinta falsamente protegida. Mas, é fundamental entender que em geral as vítimas apresentam um conjunto de indicadores e que os padrões são semelhantes em relação a qualquer tipo de violência (física, psíquica ou sexual). Para perceber, pais e educadores precisam ter um olhar atento e uma escuta sensível, já que a vítima tenta se manifestar da própria maneira, não existe uma regra.

O comportamento sexual da criança/ adolescente também pode indicar situações de abuso: começa a apresentar interesse por questões sexuais ou brincadeiras desse cunho, utilizando palavras ou desenhos que se referem às partes íntimas. Outra coisa importante a observar é quanto à aproximação excessiva entre a criança e outra pessoa do convívio dela. "É preciso que nós, enquanto família, escola, estejamos atentos para perceber e indicar essa criança para um diálogo com um profissional, por meio do qual se consiga, de uma forma muito sutil, identificar o que está acontecendo. O medo de estar fazendo algo errado não deixa com que ela se abra imediatamente com os pais", contextualiza a pedagoga Érika Costa.

A educadora diz que a orientação acerca desse assunto deve iniciar desde muito cedo. "A mãe e o pai precisam ensinar à criança que ninguém pode tocar nas partes íntimas dela, colocar a mão ou fazer brincadeiras, mesmo para limpar ou dar banho, e assim ela também não pode fazer em outra pessoa. Esse diálogo pode acontecer com o auxílio de livros, música, brincadeiras... É preciso falar de uma forma muito tranquila. A gente precisa resgatar o que se ensinava antigamente: não sente no colo de ninguém; não vá ao banheiro com ninguém; ninguém pode tocar no seu corpinho; se alguém tocar em você, me conta", orienta.

Assim, a criança vai saber que se alguém fizer algo, ela pode contar para a mãe ou para o pai. Parece banal, mas é algo que pode prevenir muitas questões de abuso. E, ao identificar algo do tipo, é importante conduzir a criança a um diálogo com um profissional, já que esse tem a forma de conversar e de entender, tirar da criança de uma forma muito sutil o que está acontecendo. A partir daí, a família ou a escola deve tomar providências, com denúncias junto aos órgãos competentes, para que se chegue a quem está fazendo isso com a criança. "Para isso, ela precisa ser ouvida e acolhida sem questionamento por um profissional que faça uma avaliação especializada", alerta Érika Costa.

Imagem: Freepik

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