quarta-feira, 20 de julho de 2022

Cepe Editora lança Estesia, primeiro livro de haicais de Cida Pedrosa


Primeiro livro de haicai de Cida Pedrosa, Estesia ganha lançamento no 30º Festival de Inverno de Garanhuns, no dia 24, às 18h, no estande da Cepe Editora, na Praça da Palavra. A pernambucana, vencedora do Prêmio Jabuti 2020, nas categorias Livro do Ano e Poesia, com Solo para Vialejo, transformou o período mais crítico da pandemia de covid-19 em um momento de profunda contemplação e inspiração, registrado em 40 haikais acompanhados de fotografias de sua autoria. A obra foi disponibilizada em e-book, em setembro passado – em uma live que se tornou alvo de ataques da extrema direita – e agora ganha versão impressa.

O livro surgiu da desaceleração. Do distanciamento de uma rotina de correria diária, para um dia a dia de incertezas e reflexões inadiáveis. Cida Pedrosa conta que estava trabalhando em home office e em campanha para vereadora e saía para passear com o cachorro. Entre a tensão do confinamento e as notícias de inúmeras mortes, retomou um hábito da adolescência vivida no Sertão: o de contemplar a natureza e o meio. De sentir a cidade e os instantes. E decidiu registrar tudo e unir contemplação, fotografias e poemas. Às vezes, escrevia na rua mesmo, quando tirava as fotos, noutras, gravava áudios para escrever em casa. “Não sou profissional de fotografia, mas gosto muito de registrar o que vejo e sempre amei poemas metrificados, como os que eu lia naquele momento e me deram uma vontade imensa de experimentar o gênero”.

Da janela de seu apartamento no 12º andar, no bairro das Graças, Zona Norte do Recife, Cida Pedrosa percebeu o pôr do sol enclausurado. Os desejos presos no concreto. A flor que alimenta os pobres. Memórias foram surgindo aos quatro cantos, como a de sua terra, Bodocó, no Sertão pernambucano, tão presente no cacto pendurado na varanda. Nos passeios diários com Bob Marley, um lhasa de 13 anos, que intitula seu fiel escudeiro, a autora se deparou com a fome, a fé e o amor, juntos, no casal que dormia na calçada. A solidão no vazio das ruas, nas lojas fechadas, nos pontos de ônibus sem ninguém. Os trabalhadores não vistos, como entregadores de aplicativos e ambulantes. O silêncio incomum a dar medo. A vida não percebida, nos pássaros, nas flores, nas árvores… Ao todo, ela fez 70 haikais e fotos e selecionou 40 para o livro.

“O mundo não é mais o mesmo. Essa coisa que nos colocou diante da morte também nos coloca uma urgência de repensar a forma como nos relacionamos com o mundo. E o livro dá um toque sobre isso: a beleza precisa reagir”, declara, remetendo a observação a um dos haikais de Estesia que acompanha a imagem de uma flor lilás:

Clitóris lilás

A alegrar o passeio.

Reage a beleza.

Passado o pico da pandemia, de volta à correria diária, Cida Pedrosa salienta que “o distanciamento da dor maior da morte (no pico da pandemia) mostra o tamanho que ela teve para você”, por isso o livro vai ser sempre atual. E observa o quanto “a correria também é uma morte, uma perda, pois falta espaço para o fluir da literatura, falta o espaço do bom, do belo”. Ainda assim, a escritora se dispõe a buscar esse espaço e se debruça sobre três novas obras, uma de prosa poética, outra de poesia erótica e uma de contos, pois, segundo ela, escrever é sua salvação, o que a mantém viva. Mas admite: “Para mim, é novo constatar que mudei, com a pandemia, mas não tanto quanto gostaria. Continuo em busca de minha Pasárgada”.

Sobre a autora - Cida Pedrosa saiu de Bodocó para o Recife em 1978, onde se consolidou como poeta. Ainda adolescente, em 1980, integrou o Movimento dos Escritores Independentes (MEIPE) e dois anos depois publicou o primeiro de seus dez livros, Restos do Fim (1982). Depois vieram O cavaleiro da Epifania (1986) Cântaro (2000) Gume (2005) As filhas de Lilith (2009) Miúdos (2011) Claranã (2015) Gris (2018) Solo para Vialejo (2019) e o e-book Estesia (2020). Formada em Direito, Cida Pedrosa se engajou cedo na luta em defesa dos direitos humanos e, em 1995, ingressou na gestão pública, sendo eleita vereadora em 2020, mesmo ano em que Solo para Vialejo saiu vencedor nas categorias Poesia e Livro do Ano no Prêmio Jabuti. Segundo ela, sua escrita tem função social.

Serviço:

Lançamento do livro Estesia, de Cida Pedrosa

Data: 24.07, domingo

Onde: Estande da Cepe no 30º Festival de Inverno de Garanhuns

Local: Praça da Palavra Carolina Maria de Jesus

Horário: 18h

Preço do livro: R$ 25,00 (impresso) e R$ 10,00 (E-book).

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