sexta-feira, 29 de julho de 2022

E assim se foram 30 anos do FIG

Ivo Tinô do Amaral criador do Festival de Inverno de Garanhuns

Por Gerson Lima

Festival de Inverno de Garanhuns...30 anos. 

E do alto de seus quase 90, Ivo Amaral, o criador dessa festa, contemplou a maturidade de uma criança que ele colocou no mundo. 

Criador e criatura se confundiram com a história, e desse evento que termina nesse final de semana, há muito o que se contar de desafios e vitórias conquistados pelas mãos de muitos. O FIG fez a gente andar pelas ruas tirando o sorriso do bolso. 

Neles, apenas mantivemos as mãos aquecidas para os aplausos. Também elas, caçaram outras mãos, que se apertaram, e o calor alcançou os braços, que se acordaram e se alongaram. Instantâneos, alcançaram todo outros corpos.

Estava feito o abraço. Ivo Amaral, deu de presente a Garanhuns esse momento mágico de ternura, alinhavado pela dança, pelo cântico, pelas cores das telas, pelo fervilhar de gente indo e vindo para todo lado, fazendo filas e curvas num recreio que mataram as horas sem que a gente percebesse. Um poeta me disse que a reta é uma curva que não sonha.

Acho que é por isso que no FIG há tantas curvas... Nelas, também se acomodaram as cinturas que praticaram torneios, todas as noites, sem vencedoras. Foram os ritmos que ditaram as regras das competições.

Valeu tudo no gargalo dos palcos, porque a vida é um show e o espetáculo não pode parar. Porque a música e a arte são transcendentais. Do trono de seus quase 90 anos, Ivo Amaral contemplou a festa à distância, mergulhado no orgulho justo de sua contribuição inabalável a um povo. A cultura é símbolo de resistência e a chuva não conseguiu molhar mais do que já estávamos ensopados da carência de se ver e de se tocar. 

Ivo sabe que o FIG foi feito para trazer, todos os anos, o calor do afago humano....a carícia de ser gente.... A cidade se apinhou de pessoas no efeito manada da festa, e os contadores de história dirão que valeu cada momento. 

Ivo Amaral viu: Não houve sol. Houve sonhos... e neles os sorrisos se chocaram num querer querendo. Ah Baco e Dionísio comandaram parte da festa, mas foram as Ninfas, de todas as gerações, que surgiram do nada oferendando belezas. 30 anos de Festival de Inverno e todos os anos o FIG vem à casa de Ivo Amaral, lhe pedir a bênção...”Você está crescido, meu rapaz”, diz o pai do Festival. No alto de seus quase 90 anos, Ivo Amaral tem o direito de enxergar os eucaliptos do Euclides Dourado, se curvando para beijar a lona do circo...As árvores do Pau Pombo balançando lentas sob o ritmo dos instrumentais...Mesmo atarraxado, o Cristo do Magano sofreja uma nota da música erudita tocada em seu templo...E o chão das praças confirmam o que disse o poeta Castro Alves: “A praça é do povo como o céu é do condor”. Enquanto isso, no coração da cidade a gente rodopiou no eixo da cintura fina da moça do Maracatu.

É Ivo, o FIG foi tudo isso e mais o que não sei. Melhor do que eu, podem dizer as ruas, as casas, as janelas, que viraram olhos que engoliam as noites, para o dia nascer feliz em cada um.

Engraçado como de tanta festa que a solidão esperou...Esquecemos até de cantar parabéns... Vida longa ao FIG. Vida longa a todas as vidas que dão vida ao FIG.

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