quinta-feira, 7 de julho de 2022

FIG 2014 - Homenagem a Ivo Amaral

Créditos do vídeo: Redes Cultura PE

Coube ao governador Eduardo Campos (PSB), em 2013, passar por cima das questões ideológicas e políticas, e anunciar que em 2014, quando  completaria 80 anos de idade, o ex-prefeito seria o homenageado da 24º edição do FIG.

Ivo Amaral ficou emocionado com o gesto simpático do governador do Estado e fez questão de dividir a homenagem com todos que colaboraram com o surgimento e a consolidação do Festival de Inverno de Garanhuns. 

ABERTURA DO 24º FIG

“Um festival plural e enriquecedor para a cultura pernambucana”. Foi o que disse o secretário de Cultura, Marcelo Canuto, na noite da quinta-feira, 17 de julho de 2014, no Teatro Luiz Souto Dourado, durante a cerimônia de abertura do 24ª edição do Festival de Inverno de Garanhuns. 

O homenageado Ivo Tinô do Amaral, ex-prefeito e responsável pela criação do Festival de Inverno de Garanhuns, ainda na década de 90, ficou bastante emocionado, aproveitou a oportunidade para dividir o sentimento com o público e com os gestores que o sucederam. “Para que o evento fosse viabilizado foi necessário a perseverança de muitos sonhadores, mas também devo agradecer aos que acreditaram e mantiveram o festival no calendário de eventos”, disse Ivo, para uma plateia repleta de amigos e familiares.

Os Secretários de Turismo e Cultura Romeu Batista e Marcelo Canuto entregam placa ao homenageado Ivo Amaral

O prefeito do município, Izaías Regis, classificou Ivo como um gestor eficiente e disse que o “Festival de Inverno é um marco na história de Garanhuns”. 

Ivo Amaral, ex-prefeito de Garanhuns e criador do FIG, foi o reverenciado da vez, que demonstrou com alegria sua satisfação pelo reconhecimento. “Expresso aqui minha alegria por essa homenagem, que se reverte em preservação e memória de Garanhuns. Esse legado que deixei para Garanhuns não pertence a seus idealizadores, políticos ou empresas privadas, hoje pertence à Garanhuns e é patrimônio cultural e imaterial da cidade. Essa homenagem é extensiva para todos vocês que me ajudaram nessa trajetória”, finalizou.

DISCURSO DE IVO AMARAL NA ABERTURA OFICIAL DO FESTIVAL DE INVERNO DE GARANHUNS - 24º EDIÇÃO

Boa noite a todos: minhas saudações às autoridades aqui presentes, a minha família, velhos companheiros de  trabalho e à sociedade garanhuense e pernambucana.

Receber a homenagem do 24º Festival de Inverno tem um significado histórico e afetivo muito especial para mim, por duas razões: a primeira, por ter sido escolhido pelo Governador Eduardo Campos, a quem tenho uma admiração inestimável pela coragem, ousadia e capacidade para discernir as posições e filiações partidárias das figuras públicas que merecem ser lembradas pelo seu papel histórico e sua contribuição à Sociedade. Dito isso, quero agradecer particularmente a Eduardo Campos, aqui representado por diversos colaboradores da sua equipe, quando esteve à frente do governo, pelo reconhecimento a minha dedicação a Garanhuns e ao meu trabalho para tornar o Festival de Inverno uma manifestação cultural das mais significativas do Estado.


A segunda razão é efetiva: adotei esta cidade como minha terra natal aos 12 anos e nela construí minha trajetória, minha família e meus laços com amigos, muitos dos quais seguem presentes na minha vida nestes meus 80 anos. Seu povo me concedeu mandatos de vereador, prefeito e, posteriormente deputado estadual. Como homem público, tentei retribuir da melhor maneira possível, trabalhando arduamente, com um acentuado sentido de ética e honestidade, para tornar Garanhuns uma  cidade aberta para as mais diversas e ricas manifestações de cunho intelectual e artístico-cultural. E digo isso, porque sempre estive muito próximo das necessidades da população, podendo compreender que vida digna, além de supor condições materiais atendidas, requer a elevação das capacidades culturais.

Convivi e frequentei os espaços de debates, onde acadêmicos, escritores, poetas, músicos, artistas populares da terra e a  juventude à época expressavam sua arte e vislumbrei que a beleza da chamada Suíça Pernambucana, o seu clima, suas  flores e a generosidade da sua gente inspiravam minhas obras, a  exemplo do Relógio de Flores e da Reforma do Centro Cultural. Estes dois, em particular, patrimônios que têm um significado especial para mim e, seguramente para a população e para os turistas que nos visitam.

Nesse ambiente, vi potencial para utilização do espaço público como fomentador da cultura no seu sentido mais universal e sua  relação com os sentidos particulares da cultura brasileira e pernambucana.

Idealizar e criar o 1º Festival de Inverno de Garanhuns não foi  fácil! Desde a minha primeira gestão como Prefeito recebi as  visitas do jornalista e professor Marcílio Reinaux, que insistia para termos um Festival no Inverno, a exemplo do Festival de Cultura de São Cristóvão, em Sergipe, e do Festival de Campos do Jordão, em São Paulo, impressionante que sempre se mostrou com o sucesso e repercussão daqueles dois eventos.

No início dos anos 80 meu mandato como Prefeito estava findando; em meio a tantas preocupações e problemas da  administração, não pudemos dar andamento a essa realização, mas o Professor Jaime Pinheiro, integrante da minha equipe, já estava entusiasmado e tinha articulado meios e listado providências a serem tomadas a médio prazo. Guardamos a ideia e a amadurecemos para colocá-la em prática, posteriormente, como uma das prioridades de um possível próximo mandato.

Dez anos após, na minha segunda gestão como Prefeito, em  1991, criei a Comissão Organizadora do Festival. Junto a alguns  nomes de peso da minha equipe de trabalho à época, lembro, como hoje, do compromisso e envolvimento dos  secretários municipais de então: Jaime Pinheiro, Luiz Henrique, Fernando Campos e o Coronel Antônio Mendonça; e também do apoio irrestrito dos empresários Paulo Tavares e Luciano Oliveira; dos jornalistas Gildson Oliveira e Marcílio Luna; dos vereadores Audálio Ramos, Paulo Gomes e Silvino Duarte, além do arquiteto e diretor de cultura Marcílio Reinaux Maia (sobrinho do outro Marcílio Reinaux, o professor e jornalista, que também atuou como consultor da Comissão). Não precisa dizer o quanto lutamos incansavelmente para concretizar este  sonho. Destaco, ainda, nesse processo, o papel das mulheres e  sua visão contemporânea no sentido de fazer desta cidade um centro de ricas manifestações culturais: Edjenalva, minha esposa, Suzana Tavares - esposa de Paulo Tavares - e as saudosas Juracy Calado e Graciete Branco. Todas elas, fundamentais nessa história.

As articulações com o poder público estadual, através do  Governador Joaquim Francisco, logo se transformaram em apoios para aquele que viria a ser uma das maiores expressões da nossa vida cultural e que vai se enriquecendo a cada edição.

Antes de terminarmos a explanação sobre o nosso Projeto, o Governador já foi dizendo: "Prefeito, eu compro a ideia". E ideia". E mais: Àquela  época ele já expressava que o Festival traria benefícios para Garanhuns, para o Agreste e para o  Estado.

Em seguida, fui encaminhado o hoje Ministro do  Tribunal de Contas da União, José Jorge de Vasconcelos Lima, então secretário de Educação e Cultura e ao Presidente da FUNDARPE, Rubem Valença Filho, o "Rubinho", tendo ambos se desdobrado e jogado todos os esforços para viabilizar um evento de porte e inédito no Estado.

Empresários, intelectuais, políticos, associações de classe, clubes de serviço, escolas, colégios e faculdades formaram um  mutirão em apoio ao evento, cada qual oferecendo a sua  contribuição no somatório dos esforços que resultou no festival. A participação popular, principalmente da juventude, foi fundamental para consolidação do evento.

Os frutos deste Evento pioneiro são reveladores do quanto o 1º Festival de Inverno foi decisivo para a valorização do  patrimônio cultural. Ainda que sua realização tenha se dado, neste momento, sob condições específicas e modestas, sua projeção, vitalidade e contribuição são inegáveis e atestam o nosso acerto e visão estratégica para democratizar a cultura, tornando-a acessível para o conjunto da sociedade.

A recuperação desta breve história, necessária e com um sentindo muito afetivo para mim, não se restringe ao passado. Reatualizar essa memória é condição para selar o Festival como parte da cidade, do seu povo e de seus modos de viver. Por isso, também é justo e pertinente registrar o empenho de todos os ex-gestores municipais e estaduais que deram sequência às demais edições do Festival: prefeitos Bartolomeu Quidute, Silvino Duarte, Luiz Carlos Oliveira e Izaías Régis; governadores Joaquim Francisco, Miguel Arraes, Jarbas Vasconcelos, Mendonça Filho e Eduardo Campos.

Aqui, também, é mais que oportuno destacar o papel da FUNDARPE nesse processo, instituição que coordena a política cultural do Estado, imprimindo sua marca decisiva ao Evento e  enriquecendo, a cada ano, as manifestações culturais que fazem parte da programação. Também por uma questão afetiva, e mais que justa, sinto-me muito feliz em ter uma filha - Maria Teresa Amaral - que trabalha na FUNDARPE e está à frente da  organização deste Evento, desde as suas primeiras edições, como uma das principais colaboradoras. Com muita competência e integralmente dedicada ao fortalecimento da  cultura de Pernambuco, ela tem sido uma verdadeira militante na área, pelo que sentimos - eu, Nalva e demais filhos - um orgulho imenso, pois ela, além de guardar a memória de todos os festivais, muito contribuiu para que este ano, em particular, a  24º Edição do Festival de Inverno tenha um brilho especial.

Por fim, quero expressar a minha alegria por esta homenagem e dizer da importância e do significado que ela representa para mim, para meus familiares, e certamente, para meus amigos e para os filhos desta terra. Acima de tudo, ela se reveste de uma dimensão fundamental para preservar a história, a memória e a  cultura de Garanhuns, de Pernambuco e do Brasil.

Espero que esse legado cultural que iniciei contribua para o florescimento de gerações que aproximam os povos, construam laços solidários e fraternos e modifiquem os homens no sentido da construção de uma sociedade mais humanizada e rica, cultural e socialmente.

O Festival não pertence aos seus idealizadores, nem à Prefeitura Municipal, nem ao Governo do Estado ou a empresas privadas ou instituições. Foi criado por um punhado de sonhadores e  idealistas como forma de demonstração de seu grande amor por  Garanhuns. Hoje, pertence à sociedade e é patrimônio do seu  povo!

Obrigado a todos que me ajudaram nessa trajetória.  Esta homenagem é extensiva a vocês!

Ivo Tinô do Amaral

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