sábado, 23 de julho de 2022

Tempo no tempo

Não se trata de duração calculável dos seres e das coisas. De sucessão de dias e momentos. Nem acontecimentos notáveis mencionados em calendário. Tempo psicológico é muito diferente do tempo que estamos habituados. Implica em ação da vontade, "devo", "não devo", que significa movimento de um recanto mental para outro. Também não representa jogo dos opostos. A volição de vontade é apenas sintomática. Do tempo cronológico e do tempo em que a emoção determina. Fatores outros entram em ação. Influências modificam os critérios das atividades. As nossas palavras não traduzem claramente o objetivo da comunicação. Daí o motivo de muitas incompreensões.

Devemos alcançar obviamente o sentido de uma nova consequência moral, que provoca obstáculos à aproximação entre os seres em certos momentos da vida. São ecos das palavras que provocam recordações amargas. As lembranças do agradável aproximam, ditam normas de simpatias. Quando alguém sente-se ofendido essa negativa perdura por muito tempo nos recantos do nosso universo mental. Daí as reservas mentais que  dissipam os movimentos de intimidade. Muitas vezes se afirma que alguém é portador de atitudes e gestos negativos. Não simpatizo com fulano. Sempre nos proporciona fluídos negativos. Essa reação é que domina muitos egoístas, cuja atividade maior consiste em fazer elogios mútuos. Nestas condições julgamos muito mal os nossos semelhantes. Geralmente não conhecemos bem o comportamento dos nossos amigos. O tempo empregado nessa área é psicológico. Vive tanto quanto o indivíduo é capaz de não perdoar, ou seja de entender melhor.

Em tudo que se manifesta como atividade social obedece um novo conceito gerado por nova maneira de  viver. O estudo dos fenômenos parapsicológicos, por meio de manifestação mediúnica, é uma das modalidades de outra dimensão de vida, entre nós. Não é de maneira alguma uma confissão do que se elabora no interior do nosso mundo, aquilo que se sabe por meio de confissão é muito menos do que o que se aprendeu antes de se saber alguma coisa. Por isto as pessoas que não vivem com intensidade todos os momentos, sentem-se impossibilitadas de entender. Vivem em vacuidade transformando a beleza da vida em fatalidade. Como se a vida fosse em si mesma uma SENTEÇA. Esses escravos do tempo vulgar vivem encarcerados dentro das  lembranças. Mas existe outro tempo que divide, infundindo cisão entre o observador e a coisa observada. Embora o raciocínio seja muito sutil, não é do domínio do abstrato.

O que estamos objetivando, nesse trabalho, implica em sofrimento do universo hominal, para os que ignoram que sofrer é prova de purificação. É uma opção da realidade plena. Isso é da própria psicologia do aperfeiçoamento do mundo em que vivemos. Tudo deve ser  preparado e bem executado, a serviço do homem criador de possibilidades. Nesse campo de ação poderemos descobrir. Não se descobre nada, apenas acumulando informações de mestres, ou douto de qualquer espécie. Teremos de descobrir todas as forças existentes dentro de nós, onde as manifestações do amor se encontram. É lá que as coisas se modificam pela força dos  nobres e elevados sentimentos. Devemos estar sempre livres para aprender, para enriquecer cada vez mais  o patrimônio da vida como saber.

Isto é superior ao tempo e ao espaço. Cronologicamente, há o amanhã. Mas psicologicamente, não  há o amanhã, tão separado pela divisão mental. Isso  representa uma formidável revolução interior. Nesse  estado o amor, a ação, a beleza, o espeço, a liberdade, tem um significado totalmente diferente do raciocínio vulgar.

Dr. José Francisco de Souza (foto) | Advogado, jornalista e historiador | Garanhuns, 24 de dezembro de 1983.

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